Paralisação dos caminhoneiros em 2018, na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Apesar de não ter contado com a participação massiva de caminhoneiros, o ensaio de paralisação no 7 de setembro exaltou os ânimos da categoria. Associações e lideranças de caminhoneiros autônomos se reúnem no próximo sábado (18) em assembleia para alinhar medidas em defesa das pautas dos transportadores. São as mesmas associações que estiveram à frente da greve de 2018. Foram convidados tanto sindicatos, associações e confederações, como líderes informais. Ainda que a assembleia já estivesse marcada antes do 7 de setembro, as manifestações alteraram as expectativas para a reunião.

“Quando você começa a conversar e abre uma assembleia, você sabe como começa mas não sabe como vai terminar. Esse movimento é justamente para ouvir todos os companheiros e decidir que atitude tomar”, disse à Arko Advice, Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), um dos organizadores da reunião.

Dahmer lista uma série de temas que têm gerado apreensão entre os caminhoneiros. Entre eles, o preço do combustível, o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da constitucionalidade do piso mínimo do frete (ADIs nº: 5956, 5959 e 5964) e a análise do PL da BR do Mar.

Também em entrevista à Arko Advice, o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA), Wallace Landim, o Chorão, quando questionado sobre a possibilidade de uma nova greve como a de 2018, respondeu que a categoria está no limite. “Estamos em uma situação pior do que em 2018. Estamos com um governo que, até agora, tudo que a gente conquistou, a gente não levou. Os ânimos da categoria estão lá em cima. Faz muito tempo que estamos no limite, mas só vamos poder afirmar qual é a intenção de todos depois da assembleia”, afirmou.

Chorão explica que as associações de transportadores evitaram se envolver com as manifestações do 7 de setembro para que as reais demandas da categoria não acabassem se misturando com o que chamou de “pauta intervencionista bancada pelo agro”. Por outro lado, segundo ele, as manifestações fizeram com que caminhoneiros voltassem a demandar uma maior mobilização em defesa das pautas do grupo.

“Temos muitos caminhoneiros que apoiam Bolsonaro, até porque 80% da categoria votou nele. Mas temos também uma parte que não se envolve com política – por isso que eu fui contra. No dia 8, muitos transportadores queriam parar para poder tirar do papel as pautas dos caminhoneiros. Deu trabalho pra gente esclarecer que o movimento era político e não teria abertura pra gente defender as nossas pautas. Tivemos até um descontrole, não por causa do movimento político, mas porque muito transportador queria aproveitar para levantar a pauta do preço do combustível”, contou.

Liderança fragmentada

Ainda que essa nova assembleia tenha sido convocada por antigas lideranças da greve de 2018, essa última grande manifestação da categoria gerou grandes divisões que dificultam uma mobilização nacional. Outras lideranças relevantes consultadas pela Arko disseram que não vão participar da assembleia e nem de uma eventual paralisação. É o caso da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam).

Procurado pela Arko Advice, o Ministério da Infraestrutura respondeu que não acredita na possibilidade de uma greve de tamanho relevante.

“Após 15 tentativas [de paralisação] em 2 anos e meio, há um desgaste em relação ao tema, especialmente entre os próprios caminhoneiros. A chance de mobilizar um efetivo de profissionais após 3 sucessivos fracassos em 7 meses é inexpressiva”, diz a nota.


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