Senadores Humberto Costa (PT-PE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e Renan Calheiros (MDB-AL) na CPI da Pandemia. Foto: Pedro França/Agência Senado

A pesquisa do instituto Paraná, divulgada na segunda-feira (19), aponta que a CPI da Pandemia no Senado tem desgastado a imagem do presidente Jair Bolsonaro no tema da corrupção. Segundo a sondagem, ao serem questionados se “o presidente sabia ou não da denúncia de corrupção no Ministério da Saúde envolvendo a compra de vacinas”, 55,8% responderam que “sim”. 28,8% entendem que “não”. E 15,4% não souberam responder.

Apenas a parcela da população que ideologicamente se alinha ao bolsonarismo acha que o presidente não sabia das denúncias no Ministério. Por conta do recesso parlamentar, o que provocará uma interrupção dos trabalhos na CPI – diminuindo o espaço que a Comissão nos principais veículos de comunicação – o governo terá um período de relativa trégua. Até agora, o Palácio do Planalto tem sido pouco eficiente em construir uma narrativa para se contrapor à Comissão, o que tem colocado Jair Bolsonaro na defensiva.

As revelações trazidas pela CPI merecem atenção do governo, já que mexem com um assunto que até então era um importante diferencial competitivo de Bolsonaro no embate de narrativas com seus adversários: o combate à corrupção.

Importante registrar que o percentual da população que entende que o presidente sabia de problemas envolvendo a compra de vacinas por parte do Ministério da Saúde – 55,8% – é similar ao índice de desaprovação ao governo – acima de 50% – mostrado na semana passada por diversos institutos de pesquisa. Hoje, a aprovação do governo, assim como a intenção de voto em Bolsonaro para a sucessão de 2022, se restringe ao seu núcleo ideológico. Se, por um lado, isso tende a garantir o presidente no segundo turno, por outro, poderá criar dificuldades para sua reeleição.

O desgaste de Bolsonaro no tema de corrupção combinado com o fato da recuperação da economia ainda não ser percebida pelos segmentos de menor renda, sobretudo trabalhadores informais – os principais impactos pelo elevado desemprego –, provocam uma divisão na opinião pública em relação ao impeachment. De acordo com o instituto Paraná, 47,8% dos entrevistados entendem que o presidente Jair Bolsonaro deve ser afastado por cargo. Por outro lado, 45,2% avaliam que não. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, há um empate técnico no tema do impeachment.

Hoje, a possibilidade de Bolsonaro sofrer um processo de impeachment é baixa. Além do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ser um aliado do Palácio do Planalto, o governo possui base política na Câmara suficiente para evitar o impeachment. Além disso, há baixo interesse da elite econômica e do establishment político no processo.

No entanto, a conjuntura política segue desafiando o Planalto, já que as ruas seguem mobilizadas. No próximo sábado (24) estão previstos novos protestos contra o presidente. Embora essas manifestações, assim como as três anteriores, tenham apenas partidos de esquerdas e movimentos sociais como participantes, os últimos atos foram expressivos. Além disso, no dia 12 de setembro, movimentos de centro-direita como o Movimento Brasil Live (MBL) e o Vem pra Rua também realizarão atos contra o governo.


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