Foto: EBC

Após uma ofensiva de aliados do governador de São Paulo (SP), João Doria, a Executiva nacional do PSDB adiou para esta terça-feira (15) a decisão sobre o modelo das prévias que definirão o candidato da sigla ao Palácio do Planalto em 2022.

Na semana passada, diferentemente do que defende Doria, o partido definiu que a eleição interna será indireta. Porém, aliados de Doria ainda tentam reduzir o peso dos votos da bancada e da cúpula partidária.

Durante a reunião, foram apresentadas duas propostas de destaques que modificam o relatório original elaborado por uma comissão interna do partido. A primeira, do diretório de São Paulo, prevê que os filiados tenham peso de 50% dos votos e os mandatários, também de 50%. Outro modelo, apresentado pelo diretório de Minas Gerais, mantém a divisão do colégio eleitoral em 4 grupos, com peso de 25% cada.

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O grupo 1, formado pelos filiados, seria porém subdividido: 12,5% para membros de diretórios estaduais e 12,5% para os demais filiados.

Os grupos são I: filiados; II: prefeitos e vice-prefeitos; III: vereadores, deputados estaduais e distritais; IV: governadores, vice-governadores, ex-presidentes e o atual da Comissão Executiva Nacional do PSDB, senadores e deputados. Por esse modelo, cada pré-candidato leva para a soma geral o porcentual que teve em cada grupo.

A eleição direta interessava a Doria porque o PSDB paulista é o maior e mais bem organizado do país, com 301 mil dos 1,3 milhão de filiados à sigla. É também o único que já realizou prévias e tem o cadastro de eleitores mais atualizado. A avaliação entre os tucanos é que o governador está em desvantagem na bancada na direção executiva nacional, que conta com 36 membros.

Além de Doria, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o senador Tasso Jereissati (CE), e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também se apresentam como pré-candidatos.

Se na próxima terça aliados de João Doria não conseguirem reduzir o peso dos votos da bancada e da cúpula partidária, as chances de Doria vencer as prévias ficam menores, pois há resistências ao seu nome na cúpula nacional do PSDB.

Uma eventual derrota na prévia poderá também ter repercussões na definição do candidato do PSDB ao governo de SP. Mesmo que João Doria controle o diretório estadual, o ex-governador Geraldo Alckmin poderá se fortalecer na disputa interna contra o vice-governador Rodrigo Garcia;

No entanto, João Doria também tem suas armas. Nesse final de semana, por exemplo, Doria anunciou que toda a população adulta de SP estará vacinada até setembro. Caso a previsão do governador Se concretize, ele contará com uma importante narrativa a seu favor – o governador que vacinou toda população de seu Estado, fazendo a vida voltar ao “normal”.

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Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".