Divididos em relação ao governo, o Centrão está mais preocupado em como se restabelecer após as eleições de 2022, avalia Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice. De acordo com o cientista político, partidos que integram o bloco estão fragmentados, uma vez que parte das chapas é governista e outra parte não é.

“O retrato do Centrão hoje é o seguinte: o PP e PL estão com o Bolsonaro. O PSD tem projeto próprio visando fortalecer a sua bancada em 2023. O MDB também está dividido. A parte não governista dialoga com o PSD. Temer e Kassab andam conversando sobre a próxima sucessão. O PSL está na duvida, sempre olhando eleições legislativas, porque elas asseguram efetivamente o poder do partido no diálogo com o presidente, seja ele quem for”, analisou Aragão durante a live semanal da Arko, Política Brasileira, no último domingo (23).

O cientista político fez ainda uma analogia comparando as ações do Centrão com uma pescaria, uma vez que eles precisam “capturar peixes”, atrair senadores e deputados federais para suas legendas, para que, em 2023, tenham no Congresso Nacional uma posição forte de influência ao presidente, independente de quem seja eleito.

“Hoje, no fundo, todos os partidos do Centrão estão mais preocupados com o ‘day after’ da eleição no Congresso em 2023 do que necessariamente com a escolha do Presidente da República. Claro que o ideal é estar do lado do presidente e se beneficiar dessa relação. Mas não necessariamente isso vai acontecer, então vão buscar fortalecer a presença no Congresso, já que isso representa o volume de recursos distribuídos do fundo partidário e eleitoral.”

MP da Eletrobras

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) foi o escolhido para ser relator da MP da Eletrobras no Senado. Com a definição, a expectativa é de que a votação aconteça na semana do dia 7 de junho, avalia Lucas de Aragão, analista político da Arko Advice. O senador tem se destacado bastante com seu posicionamento governista na CPI da Pandemia e era um dos nomes favoritos para assumir a relatoria.

A escolha, de acordo com Lucas, é positiva para o andamento da medida provisória, uma vez que o senador tem uma relação amigável com o Congresso. “O Marcos Rogério é a melhor escolha, o Ministério da Economia também preferia ele”, apontou. A MP da Eletrobras prevê a emissão de novas ações a serem vendidas no mercado, diminuindo o controle da União sobre a estatal, que passa ser uma empresa de economia mista.