Em depoimento a Comissão de Inquerito Parlamentar (CPI) da covid, nesta terça-feira (25), a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, Mayra Pinheiro, admitiu que o desenvolvimento da plataforma TrateCov, que receitava cloroquina a pacientes com Covid-19, partiu de sua secretaria.

Segundo a médica, a plataforma nunca foi colocada no ar pela pasta e que havia sido apresentado apenas um protótipo. Mayra contrariou o que foi dito na semana passada pelo ex-ministro Eduardo Pazuello, que o aplicativo teria sido hackeado. De acordo com a secretária, o TrateCov não foi hackeado nem modificado, houve apenas uma ‘extração indevida de dados’.

Mayra responsabilizou um jornalista pela vazamento da plataforma. Segundo ela, ele teve acesso ao aplicativo e o jogou na rede, usando informações fora de contexto. “O que foi feito foi uma extração indevida na madrugada do dia 20 de janeiro por um jornalista. Ele fez uma cópia da capa inicial dessa plataforma, abrigou nas redes sociais dele e começou a fazer simulações fora de qualquer contexto epidemiológico, causando prejuízos à sociedade.”

Questionada pelo relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), se o aplicativo sofreu alguma alteração com a extração de dados, uma vez que não foi hackeado, a secretária disse que não houve modificações no funcionamento do aplicativo. Com a resposta, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), perguntou por que então o ministério tirou o aplicativo do ar, já que a secretária defende que a ferramenta poderia salvar vidas. “Se não foi hackeado e não foi modificado, por que foi retirado do ar? Se poderia salvar milhares de vidas, por que não foi lançado?”, questionou Aziz.

A secretária defendeu que a suspensão foi necessária para que houvesse uma investigação sobre a extração de dados. Alterado, Aziz disparou uma série de questionamentos sobre a ação do ministério. “Não houve hackeamento nenhum, doutora. A senhora disse aqui que não houve mudança no protocolo. Por que retiraram do ar? Se tinha tanta certeza que ia salvar vidas, por que não voltou?”

O aplicativo foi retirado do ar no dia 21 de janeiro, logo que foi revelado que a ferramenta recomendava o “tratamento precoce” a pacientes com sintomas que poderiam ou não ser da Covid.

Tratamento precoce

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, a secretária Mayra Pinheiro declarou, logo no início de seu depoimento, que sempre atuou com base nas verdadeiras premissas médicas e científicas e celebrou ser a primeira médica a atuar no trabalho com pacientes com covid-19 utilizando as medicações disponíveis.

Questionada se houve direções do governo para que ela defendesse medicamentos sem comprovação contra a covid-19, como a cloroquina, ou se o apoio partiu de sua iniciativa pessoal, a médica respondeu que “nunca recebeu ordem” e que o uso dos fármacos “não é uma iniciativa pessoal” e foi baseada em 2 mil artigos científicos. A médica afirmou, ainda, que o Ministério da Saúde apenas orientou os tratamentos precoces para covid-19 e respeitava a autonomia dos médicos para receitar os medicamentos.

Imunidade de rebanho

Durante a sessão, o senador Renan Calheiros apresentou um vídeo de Mayra para questioná-la sobre falas onde a secretária defende a imunidade de rebanho. Ela defendeu que a declaração se tratava apenas que a tese da imunidade de rebanho, contra indicada por especialistas, fosse aplicada em crianças para que as aulas continuassem.