Foto: Andre Coelho/Bloomberg

Não houve surpresa no depoimento de Ernesto Araújo à CPI da COVID no Senado. As revelações do ex-ministro reforçam os entendimentos anteriores de que ele agiu com interesses ideológicos e vão embasar o relatório final que, sem nenhuma dúvida, irá condenar o governo.

Ernesto disse, durante depoimento à CPI da Covid, nesta terça-feira (18), que trocou telegramas diplomáticos com o embaixador brasileiro na Índia, Elias Luna Santos, pedindo ajuda para a importação de cloroquina e hidroxicloroquina para o Brasil. De acordo com o ex-chanceler, a iniciativa da pasta veio após pedido do Ministério da Saúde.

“Houve uma grande corrida aos insumos para hidroxicloroquina e baixou precipitadamente o estoque de cloroquina. A pedido do Ministério da Saúde, buscamos facilitar a importação de insumos para a produção de cloroquina”, relatou.

Falas anti-China

Ernesto Araújo também afirmou que o Brasil foi o país que mais recebeu vacinas e insumos fabricados pela China por causa da “relação madura e construtiva” entre os países. Questionado sobre as falas anti-chinesas, o ex-ministro afirmou à CPI da Covid que não fez tais declarações e que não houve, em momento algum, hostilidade à China por sua parte.

O presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), alertou o depoente que não aceitaria mentiras da testemunha. “Queria apartá-lo que o senhor está sob juramento de falar a verdade. O senhor deu várias declarações anti-China, inclusive se indispôs por várias vezes com o embaixador chinês”, repreendeu Aziz.

A contradição com relação à sua postura em relação à China poderá ser alegada adiante como uma tentativa de falsear a realidade perante a CPI.

No geral, Araújo conseguiu aguentar a pressão. Politicamente, não haverá nenhuma consequência adicional para o ex-chanceler além de ser, ao final da CPI, apontado como um dos participantes dos erros cometidos pelo governo.