Foto: Andre Coelho/Bloomberg

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo disse, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta terça-feira (18/5), que trocou telegramas diplomáticos com o embaixador brasileiro na Índia, Elias Luna Santos, pedindo ajuda para a importação de cloroquina e hidroxicloroquina para o Brasil. De acordo com o ex-chanceler, a iniciativa da pasta veio após pedido do Ministério da Saúde.

A troca de mensagens ocorreu em março do ano passado, logo no início da pandemia no Brasil. Ernesto justificou que havia uma expectativa, não só no Brasil, a respeito da eficácia no uso da cloroquina para tratamento da Covid, o que levou a falta do medicamento nos estoques brasileiros. “Havia notícias sobre isso de vários lugares do mundo. Houve uma grande corrida aos insumos para hidroxicloroquina e baixou precipitadamente o estoque de cloroquina. A pedido do Ministério da Saúde, buscamos facilitar a importação de insumos para a produção de cloroquina”, relatou.

O ex-chanceler argumentou que a hidroxicloroquina é um medicamento necessário e utilizado para tratar doenças crônicas. “É um remédio muito importante, que tem o seu estoque preservado no sistema de saúde, e esse estoque havia baixado. Então, isso independe dos testes que pudessem ser realizados com a hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19.”

Falas anti-China

Durante depoimento, Ernesto Araújo afirmou que o Brasil foi o país que mais recebeu vacinas e insumos fabricados pela China por causa da “relação madura e construtiva” entre os países. Questionado sobre as falas anti-chinesas, o ex-ministro afirmou à CPI da Covid que não fez tais declarações e que não houve, em momento algum, hostilidade à China por sua parte.

O presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), alertou o depoente que não aceitaria mentiras da testemunha. “Queria apartá-lo que o senhor está sob juramento de falar a verdade. O senhor deu várias declarações anti-China, inclusive se indispôs por várias vezes com o embaixador chinês”, repreendeu Aziz.

O senador questionou um artigo escrito por Ernesto, onde o ex-ministro se refere ao coronavírus como “comunavírus”. “Eu posso ler aqui o seu artigo. Inclusive o senhor faz uma relação, erroneamente, que a pandemia era para ressuscitar o comunismo. Na minha análise, vossa excelência está faltando com a verdade. Peço que não faça isso.”

Em sua defesa, o ex-chanceler disse que o artigo tratava-se de uma resposta a um texto do filósofo Slajov Zizek e negou se tratar de uma declaração anti-China.