Indústrias

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na noite de quarta-feira, aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual. A taxa agora é de 3,50% ao ano. É a segunda alta seguida no índice depois que da Selic ter passado sete meses em 2%, seu menor patamar.

O aumento da taxa de juros é uma ferramenta utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação, mas que dificulta o acesso ao crédito. Em resumo, com o aumento da Selic, fazer empréstimos deve ficar mais caro, o que desestimula o consumo e leva à queda nos preços.

A Copom justificou a decisão dizendo que “novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, unidos ao avanço da implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano”.

“Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes mostram uma evolução mais positiva do que o esperado, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia estar maior do que o antecipado. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia ainda permanece acima da usual, mas aos poucos deve ir retornando à normalidade”, diz o Copom.

CNI contesta

O aumento da taxa de juros não foi bem recebida pelo setor produtivo, que ainda não vê um cenário de aumento no consumo. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que considera a decisão equivocada.

“O setor produtivo ainda sofre com os efeitos negativos ocasionados pela pandemia. Nesse momento, as medidas deveriam ser para estimular o crédito para consumidores e para empresas, no entanto, esse segundo aumento da Selic, de forma bastante expressiva, aumenta o custo do financiamento e não contribui para a retomada da economia”, avalia o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.