Câmara aprova MP que renova o programa de redução ou suspensão de salários 
Fachada do Congresso Nacional. Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

“Fatiada, a reforma tributária tem mais chance de ser aprovada”, avalia Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice. De acordo com Noronha, com o desmembramento da proposta, o governo poderá concentrar energia em aprovar uma pequena etapa de cada vez. Além disso, a reforma poderia ser feita por legislação infraconstitucional, mais fácil de aprovar do que uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Diferente de um projeto de lei comum, para ser aprovada, uma PEC precisa do voto de três quintos dos deputados e dos senadores.

Para Noronha, é um sinal positivo o fato do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, ter colocado a reforma tributária novamente na agenda justamente quando se inicia o funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, uma vez que a reunião desperta dúvidas sobre as agendas econômicas do governo.

“Mas não basta ao presidente da Câmara puxar, tem que haver movimentação entre os parlamentares. O que pode ajudar nessa movimentação é que o Lira mostra que aparentemente há um alinhamento de fazer essa reforma de forma fatiada com a equipe econômica. Já vimos que a reforma ampla é muito complicada”, explica.

Paulo Guedes desgastado

Sobre o ministério da economia, o cientista político Lucas de Aragão avaliou que Paulo Guedes está desgastado, mas isso não significa que ele vai deixar o cargo. “Ele mesmo numa entrevista disse que o presidente já concordou com 99% do que ele dizia, depois apenas com 95% e agora está em 65%. Então, sim existe um cansaço dentro de parte do governo, mas não quer dizer que ele vai sair, até porque na política nem tudo tem um resultado final e de imediato”, analisou.

Aragão disse que hoje, talvez Guedes não esteja em seus melhores momentos, mas ele ainda é forte com o presidente. Para o cientista político, há necessidade de uma mudança na forma de Paulo Guedes se comunicar com o Congresso e apresentar o que tem que ser feito nas agendas.

“Se não for ele, não vai ser ninguém. Ele recebeu tanto empoderamento do presidente Bolsonaro que todo mundo do ministério da economia que não seja o Paulo Guedes, não satisfaz nas conversas com o Congresso. Ele virou uma figura maior que ministro da economia”, observou.