Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

“As razões da minha saída do ministério são públicas, elas se devem basicamente à constatação de que eu não teria autonomia e liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo”, disse o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, em depoimento, nesta quarta-feira (5), na CPI da Covid. Teich foi o segundo titular da pasta no governo Jair Bolsonaro e comandou o Ministério da Saúde por menos de um mês.

O ex-ministro afirmou, ainda, que as divergências com o presidente quanto à insistência no uso da cloroquina no tratamento para pacientes com covid-19 também foi um fator determinante para o pedido de demissão. Teich se posicionava contra a aplicação do medicamento, sem eficácia comprovada. Os integrantes do governo e o presidente Bolsonaro estimulavam o uso da cloroquina.

Questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), se o ex-ministro tinha conhecimento da continuidade de produção pelo Exército e se em algum momento teria recebido ordens diretas de Bolsonaro para instituir o uso de cloroquina, Teich negou e falou que o ministério, sob seu comando, não passava orientações para que o laboratório químico e farmacêutico do Exército produzisse cloroquina.

“Eu não participei disso. Se aconteceu alguma coisa, foi fora do meu conhecimento. Ali eu tinha uma posição muito clara em relação não só sobre a cloroquina, mas a qualquer medicamento. Não fui consultado. Do que eu vivi naquele período, a gente nem falava em cloroquina. Foi um assunto que não chegou a mim, a produção da cloroquina”, esclareceu.

Vacinas

Teich afirmou que, através dos estudos clínicos, foi o responsável por trazer a vacina de Oxford, da AstraZeneca, para o Brasil, e começou a abordagem com a empresa Moderna. Além disso, ele também teria tido uma conversa inicial com a Janssen, para iniciar a fase de estudos também.

“No meu período ainda não tinha nenhuma vacina sendo comercializada, era o começo do processo da vacina. Foi quando eu trouxe o estudo da AstraZeneca para o estudo ser realizada no Brasil, para o Brasil ser um dos braços do estudo, na expectativa que a gente tivesse uma facilidade na compra futura”, disse.