Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Ministério da Infraestrutura apresentou na terça-feira passada (20) a proposta de um Plano Nacional de Logística (PNL) tendo como horizonte o ano de 2035. O objetivo é a coordenação de ações que ajudarão o país a aumentar a eficiência dos projetos de infraestrutura em estudo ou já em andamento.

O documento busca estabelecer a política de infraestrutura nacional a partir de diagnóstico técnico sobre a matriz de transportes brasileira e suas principais demandas. “Baseado em critérios técnicos e mostrando onde a ação do estado será importante, identificaremos as oportunidades de ofertas no segmento e a forma mais eficiente de implementá-las”, afirmou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, durante evento de apresentação do plano.

O PNL estabelece referência estratégica de planejamento para a identificação de necessidades e oportunidades presentes e futuras de oferta de capacidade dos subsistemas de transporte. E analisa cenários futuros possíveis, a serem detalhados ou complementados em nível tático nos planos setoriais.

Entre os pontos observados, está a percepção do aumento da participação do modal ferroviário na matriz de transporte de, aproximadamente, 21% (considerando um cenário-base de 2017) para quase 33% na tonelagem de carga transportada em 2035.

Esse aumento previsto ocorrerá com a entrada em operação das duas etapas do projeto de concessão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), ligando o porto de Ilhéus, no sul da Bahia, a Tocantins, e da Ferrogrão, ferrovia que ligará o centro de Mato Grosso ao porto de Mirirituba, no rio Tapajós, no sul do Pará.

Se forem consideradas a conclusão da terceira fase da Fiol e a extensão da Fiol de Água Boa (MT) até Lucas do Rio Verde (MT), a projeção pode chegar a 36%. A construção da Fico, entre Água Boa e o entroncamento com a Ferrovia Norte-Sul, em Mara Rosa (GO), começa este semestre, a cargo da Vale, como pagamento pela outorga de renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

O PNL também traz projeções da movimentação portuária em algumas regiões, que poderá dobrar com a aprovação do PL nº 4.199/20 (BR do Mar), programa de incentivo à navegação de cabotagem. O projeto tramita no Senado e já passou pela Câmara.

O transporte hidroviário é outro modal que sofrerá impacto positivo, com uso mais intenso de hidrovias, sobretudo as que ligam os centros produtores e os portos do chamado Arco Norte, nos rios da Amazônia e no litoral da região.