Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Entre 2017 e 2018, o então pré-candidato Jair Bolsonaro era visto com desconfiança no mercado financeiro e junto ao setor empresarial.

A maior preocupação era com relação à agenda econômica que ele iria implementar, caso vencesse as eleições. As dúvidas aumentavam quando olhavam o histórico de votações de Bolsonaro ao longo de 28 anos no Congresso Nacional, em especial com relação à Previdência.

A escolha de Paulo Guedes, chamado pelo próprio Bolsonaro de seu “posto Ipiranga”, tranquilizou os agentes econômicos. Economista liberal, com forte preocupação com a questão fiscal e defensor de reformas estruturais, Guedes era quase uma unanimidade entre empresários e também junto ao mercado financeiro. Isso mesmo: era. Hoje, há dúvidas sobre a permanência de Guedes no governo. O ministro participou de jantar entre o presidente Jair Bolsonaro e empresários, em São Paulo, no último dia 7. “Guedes fez um discurso de posse. 100% dogmático e 0% pragmático”, disse um dos presentes ao evento.

Jair Bolsonaro tem feito gestos importantes de aproximação com o Congresso Nacional. Não à toa tem aumentado a participação do Centrão no governo, como forma de garantir condições de governabilidade e poder continuar avançando com a agenda de reformas. Mas o mercado e setor empresarial temem que o ministro – sem muito “tato político”, segundo alguns parlamentares – acabe por anular os esforços do presidente em construir uma relação mais sólida com o Legislativo, prejudicando o avanço da agenda.

As críticas do Congresso ao ministro aumentaram por conta das negociações envolvendo o Orçamento de 2021. Na tramitação do Congresso, houve redução de gastos obrigatórios para acomodar emendas parlamentares. O relator, senador Marcio Bittar (MDB-AC), tem afirmado que não chegou sozinho ao valor de R$ 29 bilhões. Insiste que o ministro da Economia sabia do acordo para destinar R$ 16,5 bilhões a emendas parlamentares e R$ 12 bilhões a ministérios. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse, fazendo uma crítica direta a Paulo Guedes: “Quem excedeu no seu acordo vai ter que voltar atrás.”

Esses atritos têm gerado duas especulações: uma sobre a saída de Guedes, e nomes como o do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, e até mesmo do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, têm circulado na imprensa; outra, sobre o desmembramento do ministério, resultado da fusão de Fazenda; Planejamento; Indústria e Comércio; Trabalho; e Previdência.
Vale ressaltar: Guedes continua com prestígio junto ao presidente.