Cúpula de Líderes sobre o Clima (videoconferência). Foto: Marcos Corrêa/PR

Pressionado por líderes mundiais e pelo mercado, o presidente Jair Bolsonaro apresentou hoje, na Cúpula de Líderes sobre o Clima convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, as principais ações de seu plano de reformulação da política ambiental brasileira. De acordo com Bolsonaro, as emissões de carbono do país serão neutralizadas até 2050, 10 anos antes da previsão original.

O maior desafio do Brasil hoje é combater o desmatamento ilegal na Amazônia, que corresponde a metade das emissões de carbono do país. “Destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do código florestal. Com isso diminuiremos em quase 50% nossas emissões até essa data. Medidas de comando e controle são parte dessa resposta”, destacou Bolsonaro.

Para atingir essa meta, Bolsonaro se comprometeu a dobrar a verba destinada a órgãos ambientais, como Ibama e ICMBIO.

Responsabilização internacional

Na cúpula, Bolsonaro não deixou de alfinetar a comunidade internacional, dizendo que a Amazônia é uma responsabilidade coletiva.

“Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental poder contar com a contribuição de países, entidades e pessoas dispostas a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas”, declarou.

O ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, pressiona os Estados Unidos a investir US$ 1 bilhão para o combate ao desmatamento.

O Brasil também depende da Noruega e da Alemanha para poder aplicar R$ 2,9 bilhões que estão parados no Fundo Amazônia, usado para financiar projetos de preservação ambiental. O bloqueio da verba foi determinado pelos países financiadores depois que Bolsonaro dissolveu o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa) e o Comitê Técnico do Fundo Amazônia (CTFA).

Serviços ambientais

Bolsonaro também abordou o plano já divulgado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de se criar uma remuneração por serviços ambientais. “Você pode remunerar aquele que já fez coisas corretas e aquele que é chamado a fazer. Podemos remunerar as pessoas para que elas ajudem a recuperar áreas que foram degradadas”, disse Salles.