Tarcísio: meta é tornar o Brasil líder continental em infraestrutura de transportes
tcdb374 Transporte de cavaco na Ferrovia Norte Sul. Viagem de Palmas-TO a Anápolis-GO. Dezembro 2016 Foto: Tina Coêlho/Terra Imagem

Única a apresentar lance pelo trecho inicial da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) no leilão realizado na quinta-feira, a Bahia Mineração (Bamin) pagou R$ 32,73 milhões, R$ 30 mil a mais do que o preço mínimo fixado no edital. A Bamin vai poder operar os 537 quilômetros da ferrovia entre o porto de Ilheus e Caetité (BA), onde se encontra sua mina de minério de ferro, pelo prazo de 35 anos de concessão.

A proposta feita pela mineradora dá suporte ao projeto do Ministério da Infraestrutura de construir uma malha ferroviária entre o litoral sul da Bahia e a região oeste do estado, novo centro de produção agrícola. “Muito em breve, essa ferrovia vai capturar a carga do agronegócio do oeste baiano. Será um projeto transformador para a Bahia”, disse o ministro Tarcísio de Freitas.

O trecho arrematado pela Bamin está com 75% de suas obras prontas. A futura concessionária terá de investir R$ 1,6 bilhão para deixar a ferrovia em condições de operar, além das instalações do porto. A Fiol foi dividida em três partes. No conjunto ferrovia-porto, a empresa avisou que vai investir R$ 14 bilhões, valor que virá do caixa da Eurasian Resources Group (ERG), do Cazaquistão, acionista majoritário da Bamin, segundo o presidente da mineradora no Brasil, Eduardo Ledsham.

Após Caetité, rumo ao oeste, há mais 585 quilômetros que se encontram em obras até Barreiras. Um batalhão de engenharia do Exército assumiu parte dos trabalhos desde o final do ano passado. Uma ponte de 2.800 metros sobre o rio São Francisco já está concluída.

Pela renovação antecipada do contrato de concessão da Estrada de Ferro Vitória Minas – EFVM, assinada no ano passado, a Vale usará parte dos recursos devidos ao governo como outorga para importar os trilhos que concluirão esse trecho da Fiol, no modelo de investimento cruzado. O terceiro trecho, com mais 500 quilômetros, entre Barreiras e a Ferrovia Norte-Sul, em Tocantins, ainda encontra-se em projeto.

Corredor Oeste-Leste

O Ministério da Infraestrutura anunciou, no início da semana passada, a assinatura de acordo com o Banco Mundial (Bird) pelo qual a instituição financeira vai estruturar o projeto do corredor ferroviário Oeste-Leste, ligando o município de Lucas do Rio Verde (MT), o principal centro produtor de grãos do estado, ao porto de Ilhéus, no sul da Bahia.

Os estudos de viabilidade a cargo do Bird vão abranger a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), cujas obras estão previstas para começar no próximo mês, a cargo da mineradora Vale, e os trechos III e II da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), totalizando 1,9 mil quilômetro.

Após a formalização do acordo, o ministro Tarcísio de Freitas afirmou que esse projeto representa uma transformação: “A ideia é termos um grande corredor ferroviário Leste-Oeste, integrado ao sistema Norte-Sul.” Para a diretora do Bird para o Brasil, Paloma Anós Casero, “esse futuro corredor tem muita potência, tanto do ponto de vista econômico quanto do climático”, por reduzir a emissão de poluentes.

De acordo com seu projeto original, a Fiol, cujo primeiro trecho, de 537 quilômetros, foi leiloado na quinta-feira, terminaria na Ferrovia Norte-Sul, em Figueirópolis (TO). O Bird vai estruturar a continuidade da linha, a partir da junção com a Fico, até Água Boa (MT) num primeiro momento. Posteriormente, os trilhos seriam estendidos até Lucas do Rio Verde, com mais 770 quilômetros.