Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Ainda que o governo tenha concretizado a mudança no Ministério da Saúde, como demandava grande parte dos partidos no Congresso, a cobrança sobre a pasta segue alta. “O número de óbitos sobe todo dia. Nós continuaremos trabalhando pelo país, mas precisamos que o governo federal acerte o rumo”, alertou o deputado Luiz Antônio Teixeira Jr (PP-RJ). O Dr. Luizinho, como é chamado, era um dos nomes cotados no Congresso para assumir o cargo, mas a sugestão acabou não sendo acatada.

Contudo, ele nega que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) tenha demandado o controle do ministério para o Centrão. “O conjunto de partidos não pleiteou o Ministério da Saúde nem pleiteia o Ministério das Relações Exteriores. O que pleiteamos é que a condução seja correta”, afirmou.

Segundo ele, o governo tem errado na condução do combate à pandemia, situação que precisa mudar. Ele citou, por exemplo, o período após a decisão de retirar Eduardo Pazuello em que o ministério ficou 10 dias sem nomeação de um novo ministro, e cobrou: “Como parlamentares, toda semana voltamos para nossas bases eleitorais, então vemos que as pessoas estão morrendo, nossos amigos, pessoas próximas”.

Sobre a possibilidade de mudança de Bolsonaro em seus posicionamentos a respeito da covid-19, o deputado disse que o presidente parece estar aos poucos compreendendo a gravidade dessa pandemia. “Acredito que ele foi mal assessorado durante muito tempo. Acho que o presidente e o seu entorno deveriam estar mais abertos para ouvir o contraditório e não só aqueles que, na bolha, batem palma para tudo que eles dizem e fazem”, apontou Luizinho.

Na última quarta-feira (31), Arthur Lira declarou que o Legislativo não vai tolerar mais falhas na condução do combate à pandemia e afirmou que está acionando um “sinal amarelo” para os erros do governo. O posicionamento de Lira não foi uma surpresa para Luizinho. “Ele tem um posicionamento firme como presidente da Câmara, que é a casa do povo. Ele teve o posicionamento que se espera dele”, afirmou.

Vacina

Após reuniões com o ministro das relações exteriores da China, com o presidente do Congresso Chinês e com o embaixador da Índia para discutir questões relacionadas à vacina, Luiz Antônio reforçou a urgência do Brasil melhorar suas relações com a China não só para comrpar vacinas, mas também para garantir o fornecimento do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), para que as doses possam ser produzidas no Brasil. “Tendo o IFA podemos certificar a aplicação de todas as primeiras doses sem se preocupar se vai sobrar para a segunda dose.”

Confira a entrevista completa:

O senhor era um dos nomes indicados por lideranças do Congresso para o Ministério da Saúde. Houve reação negativa pelo governo não ter acatado as sugestões?

Lira não indicou o meu nome nem o nome da Dra Ludhmila Hajjar. O governo apresentou opções e Lira apoiou aqueles que considerava de confiança. O conjunto de partidos não pleiteou o Ministério da Saúde nem pleiteia o Ministério das Relações Exteriores. O que pleiteamos é que a condução seja correta. Como parlamentares, toda semana voltamos para nossas bases eleitorais, então vemos que as pessoas estão morrendo, nossos amigos, pessoas próximas. O número de óbitos sobe todo dia. Nós continuaremos trabalhando pelo país, mas precisamos que o governo federal acerte o rumo. O governo precisa conduzir – fazer todo mundo tocar junto. Não dá pra escolher um ministro da Saúde, por exemplo, e ficar 10 dias nessa indefinição, sem nomeação, como aconteceu.

O senhor vê uma possibilidade de mudança de Bolsonaro em seus posicionamentos sobre covid-19? Nessa última semana fomos surpreendidos com declarações de dentro do Congresso bastante rígidas com o governo.

O presidente parece estar aos poucos compreendendo a gravidade dessa pandemia. Acredito que ele foi mal assessorado durante muito tempo. Basta lembrar que mesmo entre colegas deputados havia quem no início achasse que o coronavírus não seria mais do que foi a H1N1. Acho que o presidente e o seu entorno deveriam estar mais abertos para ouvir o contraditório e não só aqueles que, na bolha, batem palma para tudo que eles dizem e fazem.

A declaração de Arthur Lira (de que a Câmara ligou o sinal amarelo para os erros do governo) só foi uma surpresa para quem não o conhece. Quem conhece sabe que ele tem muito posicionamento. Durante a campanha o taxaram como candidato governista, mas ele tem um posicionamento firme como presidente da Câmara, que é a casa do povo. Ele teve o posicionamento que se espera dele.

Como o senhor enxerga a situação diplomática brasileira em relação à aquisição de vacinas? Como o Congresso pode ajudar nisso?

Participei de reuniões com o ministro das relações exteriores da China, com o presidente do Congresso Chinês, com o embaixador da Índia. Precisamos urgentemente que a China garanta o fornecimento do IFA. Garantindo o IFA podemos garantir a aplicação de todas as primeiras doses sem se preocupar se vai sobrar para a segunda dose. Precisamos melhorar nossa relação com a China porque podemos comprar vacina pronta e ao mesmo tempo receber IFA. Por outro lado, precisamos também dos Estados Unidos, que quer apoiar o Brasil mas quer um compromisso com a área ambiental.