Foto: Marcos Corrêa/PR

Na tarde desta terça-feira (30), os comandantes do Exército, Edson Pujol, da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez, deixaram o cargo em um movimento conjunto pensado como forma de indicar descontentamento com o presidente da República, Jair Bolsonaro.

A última vez que os comandantes das três forças deixaram o governo de forma coordenada, com exceção aos momentos de transição na presidência, foi em 1985, ano da redemocratização no Brasil.

A demissão ocorre um dia após a troca do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, por Walter Braga Netto, que antes ocupava a Casa Civil.

Os comandantes vinham se reunindo desde ontem para decidir qual saída tomariam após a demissão de Fernando Azevedo. Apesar de ser esperado um pedido de demissão, na nota oficial que anuncia a mudança, o Ministério da Defesa não anuncia qual o motivo. Diz a nota:

“O Ministério da Defesa (MD) informa que os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica serão substituídos. A decisão foi comunicada em reunião realizada nesta terça-feira (30), com a presença do Ministro da Defesa nomeado, Braga Netto, do ex-ministro Fernando Azevedo, e dos Comandantes das Forças.”

O fato do movimento ser inédito na história da Nova República levantou críticas e desconfiança no Congresso. Parlamentares veem indícios de que Bolsonaro tenha cobrado envolvimento das Forças Armadas em questões políticas. No ano passado, Pujol já havia declarado que os militares precisavam se manter fora da política.