Foto: Andre Coelho/Bloomberg

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira (29). Segundo apurado pela Arko Advice, Tereza Cristina (Ministra da Agricultura) Luiz, Fernando Serra (embaixador em Paris), Flavio Rocha (Almirante, atualmente na Secretaria de Assuntos Estratégicos do Palácio do PlanaltoSAE) são alguns nomes cotados para suceder o chanceler no cargo.

O ministro vinha sendo questionado pelo Congresso, principalmente pelos senadores. Na semana passada, os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pressionaram o presidente Jair Bolsonaro a demitir o chanceler. Pacheco chegou a dizer que “o Ministério das Relações Exteriores está muito aquém do esperado”.

Na última quarta-feira (24), o ministro Ernesto Araújo, foi ao Senado para prestar esclarecimentos sobre a atuação e os esforços da chancelaria brasileira em prol da obtenção de vacinas contra a covid-19. O ministro foi duramente criticado durante a reunião. Parte dos senadores o culpam pela demora do governo brasileiro nas negociações de vacinas com outros países, como a China. A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), por exemplo, o acusou de ter agido com displicência e pediu que ele renunciasse ao cargo.

Contudo, segundo Araújo, o Brasil é o terceiro país que mais recebeu vacinas fabricadas na China no mundo e alegou que o país não está atrás de outros países na questão de vacinação. O ministro também destacou que o cronograma de vacinação prevê que a população brasileira seja vacinada em sua totalidade até o final do ano, mas que o prazo pode ser adiantado.

No último domingo (29), a pressão pela saída de Araújo voltou a aumentar quando o chanceler acusou o Senado de ataca-lo em prol de interesses da China.

Ele relatou um diálogo com a senadora Kátia Abreu (PP-TO): “Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: ‘Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado’. Não fiz gesto algum”, escreveu o ministro no Twitter. “Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria.”

Também por meio de seu perfil no Twitter, a senadora Katia Abreu publicou inúmeras mensagens de repúdio ao ato do ministro. Entre elas, Abreu disse que Araújo não visa solucionar os problemas causados pela pandemia do novo coronavírus no Brasil, e sim desviar o foco do problema.