A nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada hoje (17), aponta que o colapso do sistema de saúde, o aumento de mortes pela covid-19 e a tumultuada gestão do governo no combate à pandemia atingiu a imagem do presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a sondagem, a avaliação negativa (ruim/péssimo) da gestão da pandemia cresceu seis pontos percentuais em relação a janeiro e atingiu 54%. Em relação a janeiro, a avaliação positiva (ótimo/bom), por outro lado, caiu quatro pontos e agora soma 22%. O índice regular, por sua vez, oscilou de 25% para 24%.

Outro aspecto negativo trazido pela pesquisa é que a estratégia adotada por Jair Bolsonaro de tentar se descolar da pandemia, deixando as medidas de combate a covid-19 sob responsabilidade de governadores e prefeitos pode estar em xeque.

Segundo o Datafolha, 42% dos entrevistados entendem que o principal responsável em combater a pandemia deve ser o presidente. 20% citam os governadores e 17% os prefeitos.
Ao serem questionados sobre quem melhor está combatendo a pandemia, 38% citaram os governadores. 28% mencionaram os prefeitos. E apenas 16% o presidente.

Em relação ao principal culpado pela atual situação da pandemia, 43% citaram o presidente. 17% mencionaram os governadores. E apenas 9% citaram os prefeitos.

Base bolsonarista preservada

Em relação à avaliação do governo, 44% avaliam a gestão Jair Bolsonaro negativamente (ruim/péssimo), quatro pontos percentuais a mais que o registrado em janeiro. Apesar do grande desgaste do governo, o eleitorado bolsonarista segue consolidado. A avaliação positiva (ótimo/bom), que era de 31% em janeiro, agora soma 30%. E o índice regular oscilou de 26% para 24%.

Além da gestão da pandemia, o cenário econômico e social também atinge Jair Bolsonaro. O aumento do preço dos combustíveis, por exemplo, combinado com o fim do auxílio emergencial – o benefício foi recriado, mas começará a ser pago apenas em abril – também desgastam a imagem presidencial.

A grande questão a partir de agora é como o governo fará a gestão da pandemia. Preservar a atual estratégia de enfrentamento, apesar de agradar ao chamado bolsonarismo raiz, deve manter o governo no corner, além do risco de atritar a relação com o centrão, já que a pressão dos governadores e prefeitos sobre deputados por conta do colapso da saúde começa a repercutir no Congresso.

Mudar de estratégia, por outro lado, trará custos no curto prazo, sobretudo a insatisfação do setor privado, mas tende a ser menos custosa de médio e a longo prazo.