Divulgação/Governo de São Paulo

Devido ao agravamento da pandemia do coronavírus, o governador João Doria (PSDB) anunciou o ingresso de todas as regiões do Estado, de sábado passado (6) até 19 de março, na chamada fase vermelha – a mais restritiva do Plano de São Paulo (SP).

A ação foi sugerida por membros do Centro de Contingência da Covid-19, comitê de 20 especialistas e autoridades que aconselham o governo na crise.

A fase vermelha veta a abertura de restaurantes, academias e outros estabelecimentos considerados não essenciais. No entanto, as escolas e igrejas continuarão abertas.

Nesta fase do Plano SP, apenas os serviços essenciais estão permitidos. De forma controversa, nesta semana Doria permitiu que templos religiosos fossem incluídos na categoria, desde que respeitadas regras de distanciamento social.

A decisão de Doria ocorreu após SP ter registrado 468 mortes na última terça-feira (02), o maior registro feito no Estado desde o início da pandemia.

Na sexta-feira passada (05), o quadro era ainda mais crítico. O total de internados por coronavírus no Estado atingiu o número de 18 mil pessoas. Além disso, o governo anunciou que vai reabrir hospitais de campanha para o atendimento de pacientes da covid.

Apesar da gravidade do quadro em SP, com hospitais perto do colapso, a dura medida anunciada por João Doria já provoca reações e deve trazer mais desgaste ao governador. Parte dos prefeitos, pressionados pelo setor privado, sobretudo dos setores do comércio e serviços, que são os mais afetados pelo fechamento da economia, ameaçam não cumprir as medidas.

Em São José dos Campos (SP), por exemplo, a Prefeitura conseguiu reverter na Justiça e sair da chamada fase vermelha do Plano SP.

Com objetivo de reduzir desgastes e responsabilizar o governo federal, João Doria, durante o anúncio do ingresso do Estado na fase vermelha fez durou ataques ao presidente Jair Bolsonaro. Doria chamou Bolsonaro de “negacionista” e fez referência à compra de uma mansão feita pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

O governador afirmou que “não disputa eleições para extrair vantagens pessoais, comprar imóveis, fazer “rachadinhas” ou para proteger filhos”.

O governador disse também que não pauta sua vida “em popularidade ou necessidades eleitorais. Eu pauto a minha vida pela existência e pelo respeito às pessoas. Isso que me trouxe à vida pública. Não vivo as benesses do poder, não usufruo. A mim importa a credibilidade de alguém que, enquanto governador, lutou pela vida. Não tenho medo e ameaças que tenho recebidos nos últimos meses”.

O governador paulista disse ainda que o momento da pandemia do coronavírus no Brasil é grave. “Há 41 dias, o Brasil tem mais de 1.000 mortes por dia. É como se 5 aviões caíssem todo dia matando todos seus ocupantes. Isso não é normal. Isso não é banal. Não é ‘gripezinha’. É uma tragédia que pode ser ainda pior se não tomarmos medidas. Não podemos banalizar a morte”, afirmou Doria.

Em outro movimento para se contrapor ao governo Bolsonaro, João Doria anunciou que a economia de SP cresceu 0,4% em 2020, ano marcado pela pandemia do coronavírus. A medida teve o objetivo de produzir uma comparação com o resultado do país, que registrou uma retração de 4,1% no ano passado.

O crescimento do PIB paulista foi puxado pelo setor de serviços e de tecnologia, que responde por 77% da economia do Estado. O setor cresceu 1,8% em 2020. Agropecuária e indústria caíram, respectivamente, 1,7% e 2,9% no ano.

Depois de uma retração de 6,3% no 2º trimestre de 2020, houve recuperação de 9,8% no 3º trimestre, segundo dados do governo.

Doria também tentou abraçar a bandeira das privatizações – que enfrenta importantes obstáculos políticos para avançar no governo Bolsonaro – ao dizer que SP é o Estado que “mais privatiza”, tendo eliminado cinco estatais no âmbito na reforma administrativa realizada ano passado.