Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Apesar da necessidade da prorrogação do Auxílio Emergencial já ser um consenso em Brasília, o governo federal ainda patina na busca por uma solução para custear o benefício. A pressão no Congresso só aumenta, mas, de acordo com o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), ainda não há uma definição sobre como a prorrogação deve ser viabilizada.

“Todas as alternativas são estudadas nesse momento. Cada um tem uma ideia de como resolver esse problema. A limitação é muito grande. Estamos no orçamento regular, temos a Responsabilidade Fiscal e o Teto de Gastos”, respondeu à Arko Advice ao ser questionado se a liberação de crédito extraordinário por meio de uma MP é uma certeza.

Nesse momento, o governo e o Congresso se encontram em uma situação complicada em relação ao financiamento do novo auxílio. Vários “balões de ensaio” já foram lançados e encontraram resistência ou na sociedade, ou no mercado ou na política. Uma solução fora do Teto assustaria os investidores. A criação do imposto sobre transações digitais chegou a voltar para a mesa de negociações, mas acabou descartada por ser muito impopular.

Na avaliação do ministro Paulo Guedes, a opção mais segura seria esperar a votação do Orçamento e a aprovação de reformas, estratégia que ignoraria o caráter de urgência da prorrogação. Portanto, há pouca aceitação política e social.

Em meio a toda essa indecisão, nesta quinta-feira (11), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pressionou o governo dizendo que a situação da população está “crítica”.

“Urge que o ministro Guedes nos dê uma alternativa viável, dentro dos parâmetros da economia como ele pensa e como a sociedade deseja, a situação está ficando crítica na população e precisamos encontrar uma alternativa”, disse.

Já o líder do governo, Ricardo Barros, indicou que, ainda que a prorrogação do auxílio seja uma certeza, a forma que ela será viabilizada e o timing ainda estão em discussão.

“O recado [de Lira] é que precisamos resolver. Essas declarações dos presidentes da Câmara e do Senado são voltadas à população, de que eles [Lira e Pacheco] querem uma solução para isso. Essa solução será encontrada, nem que seja na votação do Orçamento, em 23 de março”, pontuou.

Valor do auxílio

Outra questão que gera debate dentro do Governo e do Congresso é o valor a ser concedido nessa nova etapa do Auxílio Emergencial. À Arko Advice, um deputado do Progressistas, mesmo partido de Lira e Barros, disse que a decisão já está tomada.

“Em conversa com o novo líder do partido, deputado Cacá Leão (PP-BA), ele me disse que o martelo já está batido para a volta do auxílio emergencial. Falta agora definir o valor que deve ficar entre R$ 200 e R$ 300, muito próximo do Bolsa Família que é R$ 190”, declarou o parlamentar progressista.