Foto: Carlos M. Vazquez

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, recebeu um dossiê na semana passada pedindo que as importações de produtos agrícolas brasileiros sejam suspensas. O documento, que foi assinado por mais de 100 acadêmicos e ativistas de organizações não governamentais, solicitou que Biden também interrompa negociações diplomáticas com o Brasil. Além disso, pede-se que Biden retire o atual apoio à entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O apoio dos EUA foi prometido pelo ex-presidente Donald Trump.

O texto condena a relação de tendências autoritárias que tiveram os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro nos últimos anos, e que a aliança entre os líderes teria colocado em xeque o papel de Washington como um parceiro confiável na luta pela proteção e expansão da democracia. O documento pede que que o país restrinja especificamente importações de madeira, soja e carne do Brasil, a menos que se confirme que os produtos não estejam vinculados a abusos aos direitos humanos e ao desmatamento da Amazônia.

Juan Gonzalez, diretor-sênior para o hemisfério ocidental do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que qualquer pessoa que achar que pode promover um relacionamento ambicioso com os EUA enquanto ignora questões como a mudança climática, claramente não tem ouvido Joe Biden durante sua campanha. Gonzalez é assessor de confiança de Joe Biden desde o governo Barack Obama.

Especialistas, no entanto, acreditam que Biden não acatará todas as solicitações. Acredita-se que Joe Biden não tem interesse em entrar em conflito com o Brasil, principalmente pela possibilidade de perda do apoio na Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, o novo presidente americano pode ser levado a adotar medidas de restrição de comércio. O objetivo seria obrigar o Brasil a trabalha sua imagem no exterior, em especial quanto às medidas de combate à destruição da floresta nativa.

Conversa com os EUA

O embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, disse na sexta-feira (5) que a administração de Biden quer ser um bom parceiro do Brasil na área do combate às mudanças climáticas. Após reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, o embaixador reafirmou que o presidente americano tem como uma de suas principais prioridades a área ambiental. Além disso, afirmou que o Brasil pode enfrentar significativas consequências econômicas se não para de destruir a floresta.

A condução da política ambiental pelo governo brasileiro já foi alvo de críticas de Joe Biden, e da vice-presidente Kamala Harris. Após a conversa com Chapman, Mourão – que preside o Conselho da Amazônia – disse o diálogo tinha como objetivo mostrar as ações do governo Bolsonaro em prol da preservação do meio ambiente. Segundo o vice-presidente do Brasil, foi acordada uma apresentação em inglês com os resultados da próxima reunião do Conselho da Amazônia.