Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro, em 2018. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Apesar da divisão nos sindicatos de caminhoneiros, grupos que representam parte da categoria dizem que está mantida a greve agendada para a segunda-feira (01). A visão majoritária dentro do Ministério da Infraestrutura é de que as entidades que confirmaram adesão à paralisação representam uma parcela muito pequena da categoria. Contudo, o presidente Jair Bolsonaro segue fazendo acenos à categoria.

Um dos movimentos de Bolsonaro é pleitear no Ministério da Economia uma redução do PIS/Cofins como forma de compensar o aumento de R$ 0,09 no Diesel anunciado pela Petrobras.

Contudo, em live na quinta-feira (28), o presidente demonstrou não ter certeza se terá sucesso na redução de impostos.

“Procurei a equipe econômica para retirar o PIS/Cofins. Cada centavo para retirar do diesel, preciso encontrar R$ 800 milhões em outro lugar. Não sei se é possível ou não. Quem analisa é o Paulo Guedes”, disse.

Ele destacou que não gostou do que foi proposto pela equipe econômica. “O que a Economia apresentou pra mim ia penalizar todo mundo”, expôs.

Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tentou baixar a temperatura. “Sabemos que a situação dos caminhoneiros é difícil. Mas não vamos parar de trabalhar em uma agenda para melhorar a situação”, disse.

O governo aposta na criação do Documento de Transporte Eletrônico, que tem como objetivo unificar documentações e eliminar intermediários e atravessadores. “Vai ter esforço e diálogo, mas precisamos de um pouco de paciência”, pediu o ministro.

Categoria dividida

Ao mesmo tempo que entidades como o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) defendem a paralisação, outras entidades ligadas ao transporte de cargas têm desencorajado seus filiados a participarem da greve.

Nesta semana, a CNT (Confederação Nacional do Transporte), por intermédio do seu presidente, Vander Costa, veio a público informar que não apoia nenhum tipo de paralisação de caminhoneiros. Segundo a nota, se houver algum movimento dessa natureza, as transportadoras garantem o abastecimento do país, desde que seja garantida a segurança nas rodovias.

AS federações de caminhoneiros do Rio Grande do Sul (FECAM/RS), de São Paulo (FECAM/SP), de Minas Gerais (FETAC/MG) e a FECAVRE/SP, também vieram a público, por meio de nota conjunta, para dizer que não devem participar da greve.

“Por maioria expõe que o momento não é oportuno para a realização de um movimento de paralisação, visto os danos irreparáveis que podem ser gerados para a sociedade brasileira”, diz o informe.

As entidades fazem parte da Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), que não reconhece como legítimas as entidades que lideram o movimento grevista.

Por outro lado, a CONFTAC reconhece a legitimidade da pauta dos protestos e classifica como “abusiva e descabida” a carga tributária sobre os combustíveis.