Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, garantiu que o atraso no envio dos insumos para produção de vacinas contra a covid-19 não é uma retaliação por conta do desgaste político entre os governos brasileiro e chinês.

A reunião entre Maia, lideranças parlamentares e o embaixador Yang Wanming foi realizada nesta quarta-feira (20) como forma de contornar as dificuldades diplomáticas do Itamaraty com a China. Segundo o presidente da Câmara, a diplomacia brasileira tem evitado contato com a embaixada do país asiático. Os parlamentares temem que o atraso no envio dos insumos possa comprometer a vacinação no Brasil.

“O governo chinês sabe da importância dos insumos para o Brasil e vai agilizar para encaminhar logo. Estão trabalhando para acelerar a importação. Senti com clareza que os conflitos políticos não estão dentro desses atrasos. Foi realmente uma questão técnica”, declarou Maia, sem especificar quais foram as dificuldades encontradas na hora da exportação dos insumos e quando eles serão liberados.

Apesar da declaração de que o atraso não é deliberado, em Brasília, a análise majoritária é que o episódio escancarou a dependência do Brasil do país asiático.

Embaixador vai pedir celeridade à China

De acordo com a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que participou da reunião com o embaixador chinês, o principal posicionamento do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi no sentido de pedir desculpas pelas falas de parlamentares que se opõem ao governo da China. Maia disse que não pode falar pelo Executivo, mas se desculpou pela postura do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) dizendo que ela não representa o pensamento majoritário do Legislativo.

Em resposta, o embaixador chinês disse: “Não vamos deixar que pessoas mal intencionadas perturbem a relação de parceria Brasil-China”. Yang Wanming se comprometeu a ligar ainda hoje para o governo chinês para apurar quais são os problemas que estão atrasando o envio dos insumos para a fabricação das vacinas no Brasil, que seriam questões técnicas e não políticas.