Com uma nova onda de covid-19 no país, a crise na saúde pública do Amazonas e a decrescente popularidade de governo, volta a circular entre os parlamentares a ideia de um possível processo de impeachment contra Jair Bolsonaro.

Na última semana, Bolsonaro ultrapassou o número de 60 pedidos de impeachment recebidos, se aproximando do recorde de 68 pedidos de afastamento protocolados na Câmara dos Deputados contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Os pedidos partem principalmente dos partidos da oposição, mas alguns são assinados até por ex-aliados.

O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já descartou a possibilidade de dar prosseguimento aos pedidos de impedimento e diz que a tarefa de analisar a questão ficará a cargo do seu sucessor.

Na avaliação de cientistas políticos, a pandemia tem evitado a concretização de um dos mais importantes ingredientes da chamada “tempestade perfeita”: a mobilização popular.

“Um impeachment é improvável nas variáveis atuais. A primeira coisa que vimos com as experiências do passado é que o impeachment depende de uma organização social coesa, presencial e barulhenta”, avalia Lucas de Aragão, cientista político da Arko Advice.

Aragão dá o exemplo de Michel Temer, que era um presidente que tinha grande impopularidade – chegou a ser considerado ruim ou péssimo por 74% da população, de acordo com o Ibope. “Ele tinha uma impopularidade maior do que a Dilma, mas era uma impopularidade menos intensa, que não levou as pessoas às ruas”, explica.

Nos últimos 30 anos, dois presidentes brasileiros foram impedidos: Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016. O primeiro caso contou com as manifestações puxadas pelo movimento estudantil. Centenas de milhares de pessoas foram às ruas. Movimento semelhante ocorreu durante o processo contra Dilma.