Fachada do Palácio do Planalto. Foto: Pedro França/Agência Senado

Muitos estavam ansiosos para que 2020 acabasse. A expectativa com 2021 é alta, mas o ano dependerá de algumas variáveis-chave. Elenco aqui, de forma sucinta, dez vetores que podem interferir de forma decisiva no desenrolar do ano que se inicia: Primeiro, a campanha de vacinação contra a Covid-19. Há muita indefinição sobre o início da vacinação e enfrentamos problemas básicos, como falta de seringas e agulhas. Outro aspecto relevante é a popularidade do presidente. Ele chegou ao mês de dezembro com avaliação “ótimo/bom” em patamar mais elevado que em 2019. A grande dúvida é como essa avaliação se comportará com o fim do pagamento do auxílio emergencial. A sucessão na Câmara e no Senado é o que mais movimenta os bastidores de Brasília neste período de recesso. Os presidentes das duas Casas serão eleitos no dia 1º de fevereiro. A disputa está sendo acompanhada de perto pelo mercado e será fundamental para o andamento das reformas.

O quarto vetor é justamente o andamento das reformas estruturais que, em 2020, ficou comprometido por conta da pandemia. As reformas administrativa e tributária, além da PEC que regulamenta os gatilhos do teto de gastos, são consideradas cruciais. Desde que assumiu o governo, Jair Bolsonaro promoveu 15 alterações em seu ministério. Novas mudanças são esperadas para este ano, em especial na Secretaria-Geral da Presidência e no Ministério das Relações Exteriores. O plano de privatização do ministro da Economia, Paulo Guedes, com o qual ele pretendia arrecadar R$ 1,2 trilhão, não andou. Para 2021, estão previstas nove privatizações, entre as quais a dos Correios e a da Eletrobras.

A retomada em V, tão comentada por Paulo Guedes, é outro vetor importante. O PIB do país cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2019, após duas quedas consecutivas: de 1,5% no primeiro trimestre; e de 9,6% no segundo. A alta no número de casos de Covid-19 é um fator de risco para a continuidade do processo de recuperação econômica. A Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê um déficit fiscal de R$ 247 bilhões. A avaliação é que o ano será muito difícil para o teto de gastos porque houve descasamento dos índices de inflação. Outro fator importante é a relação entre o Brasil e o governo de Joe Biden. Paulo Leme, em artigo para o Estado de S. Paulo, espera que Biden adote uma política keynesiana, fundamentada em grandes estímulos fiscais, o que estimularia o crescimento nos Estados Unidos e no resto do mundo. Por fim, vale citar as regras do leilão da rede móvel 5G, que pode definir a relação Brasil-China. O certame sofre pressões internacionais e é motivo de disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.

Texto foi publicado na IstoÉ dia 8/1/2020

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Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.