Na Câmara dos Deputados, uma questão envolvendo a dinâmica das eleições para a Mesa Diretora tem causado apreensão aos parlamentares: a possibilidade de uma votação remota. Com a pandemia do novo coronavírus, a possibilidade vem sendo estudada como forma de evitar aglomerações durante a eleição. Nesse caso, os deputados votariam usando o aplicativo de celular criado pela Câmara – o mesmo utilizado para votação dos projetos de lei de forma remota.

Nesta quarta-feira (6), o tema aumentou a temperatura do debate entre os deputados que concorrem ao cargo. O candidato à presidência da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), acusou o rival, Baleia Rossi (MDB-SP) de articular para que a votação, que será realizada em 1º de fevereiro, seja remota.

“O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e seu candidato, Baleia Rossi, querem votar remotamente na eleição para a presidência da Câmara. Qual a verdadeira intenção por trás disso?”, disse em publicação nas redes sociais.

Não é a primeira vez que o Progressistas fala sobre isso. Em dezembro, o presidente do PP, Ciro Nogueira, enviou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) um documento em que questiona quais serão os procedimentos a serem adotados na votação para eleger o presidente da Câmara dos Deputados, em fevereiro.

Questionado pela Arko Advice, Baleia Rossi respondeu por meio de sua assessoria de imprensa. Disse que a acusação é falsa e que o assunto sequer está no radar da campanha do candidato.

Votação remota não está fora de cogitação

Apesar da equipe de Baleia Rossi (MDB-SP) não estar trabalhando para que a votação remota seja adotada, o assunto ainda é estudado. A Secretaria Geral da Mesa (SGM), órgão responsável pela organização da eleição na Câmara, não descarta a possibilidade de que a votação seja feita de forma virtual. A resposta oficial é que a forma de votação ainda não foi definida e que os detalhes só serão divulgados quando essa questão for resolvida.

Na quinta-feira, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, disse ao jornal Valor Econômico que estuda a votação remota somente para “uma pequena parte” dos deputados, que seriam aqueles que compõem grupos de risco.

Segundo a equipe do presidente da Casa, a forma de funcionamento da eleição ainda não está definida e que os detalhes estão sendo planejados pela Secretaria Geral da Mesa (SGM).

Deputados aliados de Arthur Lira (PP-AL) argumentam que uma votação remota seria prejudicial, já que nada garante que o voto será secreto e os partidos poderiam coibir as traições. “Como vai impedir de filmar os votos?” questionou um parlamentar do grupo de Lira ouvido pela Arko Advice.

Em sua estratégia, o líder do PP tem apostado em conseguir votos “no varejo”, ou seja, em contato individual com os parlamentares. Assim, Lira já conseguiu apoio inclusive entre os deputados que integram o grupo de partidos que, oficialmente, é aliado de Baleia Rossi.