Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

A pesquisa CNI/Ibope divulgada na quarta-feira (16) sobre a avaliação do governo Jair Bolsonaro aponta uma redução do índice ótimo/bom em relação a setembro. Por outro lado, cresceu a avaliação negativa (ruim/péssimo). O percentual regular ficou estável. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Avaliação Setembro (%) Dezembro (%)
Ótimo / Bom 40 35
Regular 29 30
Ruim / Péssimo 29 33

*Fonte: Ibope

Apesar do recuo na avaliação positiva do governo, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro continua elevada se considerarmos que o país passa por uma grave crise sanitária, econômica e social. Mesmo com o auxílio emergencial se aproximando do fim, se mantém inabalável o núcleo fiel de apoio do presidente: cerca de 1/3 da opinião pública.

Mesmo com o crescimento da avaliação negativa do governo, o índice ruim/péssimo continua restrito ao terço dos brasileiros que rejeita Bolsonaro. Considerando todos esses aspectos, Jair Bolsonaro terminará 2020 de forma positiva em termos de popularidade.

No entanto, o governo terá desafios pela frente em 2021 como, por exemplo, gerenciar um ambiente social mais complexo por conta do fim do auxílio em meio a um desemprego alto. Além do debate da vacinação, que nas últimas duas semanas colocou o Ministério da Saúde numa posição defensiva em meio ao crescimento da pandemia do coronavírus.

Também haverá uma maior cobrança por parte do mercado em relação ao avanço da agenda de reformas. Isso sem falar na eleição para as presidências da Câmara e Senado, em fevereiro.

Em meio a tantos desafios, é possível que a popularidade de Jair Bolsonaro possa apresentar nova oscilação negativa no curto prazo, principalmente por conta do fim do auxílio. Vale destacar que, segundo a CNI/Ibope, hoje, 49% dos entrevistados desaprovam a forma como Bolsonaro governa o país e 46% aprovam.

Outro aspecto que merece atenção por parte do Palácio do Planalto é o fato do governo ser desaprovado em todas as áreas de atuação: segurança pública (53%), combate à fome e à pobreza (53%), educação (53%), saúde (60%), meio ambiente (59%), combate ao desemprego (62%), combate à inflação (63%), impostos (70%) e taxa de juros (70%).

Embora esses números sinalizem uma possível redução da popularidade, é importante registrar que Bolsonaro tem uma base social bastante sólida. Mesmo desaprovado em todas as áreas de atuação, o presidente continua com uma avaliação positiva que varia de 35% a 40%, dependendo do instituto.

Esse índice sinaliza que a aprovação de Bolsonaro não é explicada apenas pelo auxílio emergencial. Apesar da enxurrada de críticas que o presidente sofre, o bolsonarismo simboliza um conjunto de valores que encontra ressonância em parcela importante da opinião pública.