O Sudeste do Brasil é a região de onde vem a maior parcela dos parlamentares com maior influência no Congresso. De acordo com o levantamento Elite Parlamentar 2020, da consultoria política Arko Advice, dos 103 congressistas mais influentes, 35 são da Região Sudeste. Em seguida está o nordeste, com 34 parlamentares. A região com o menor número de deputados e senadores entre os mais relevantes é o Centro-Oeste, que tem 5 nomes na lista – nenhum do estado de Goiás.

O levantamento tem o objetivo de mapear quais são os deputados e senadores com atuação mais forte dentro do Legislativo. Destacam-se líderes partidários, parlamentares que são especialistas nos temas em destaque, nomes ligados a movimentos sociais e aqueles que têm boa atuação como articuladores. O documento pode ser consultado clicando AQUI.

“Membros da elite parlamentar são aqueles com grau variado de importância: negociam com o Executivo, representam grupos de pressão, operam na busca do consenso, influenciam nas decisões do Executivo ou deixam sua marca no processo deliberativo do Congresso Nacional”, explica Lucas de Aragão, cientista político da Arko Advice.

O estado com o maior número de parlamentares listados é São Paulo (19). Representa o estado, por exemplo, o deputado Baleia Rossi, que é presidente nacional e líder do MDB. Rossi também é pré-candidato à presidência da Câmara. Também eleito por SP, o deputado Alexandre Padilha (PT) está na lista como “especialista”. Ele é médico, ex-ministro da saúde e participa ativamente das discussões relacionadas ao setor. O estado com o segundo maior número de parlamentares na elite é o Rio de Janeiro, com 9.

“Os principais temas em análise no Congresso acabam dominados pelos estados economicamente e politicamente mais fortes. Em São Paulo, você tem políticos que acabam tendo, naturalmente, uma projeção nacional”, explica Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice.

Partidos tradicionais dominam o debate

A maior parte da elite parlamentar de 2020 vem de partidos que há muito tempo atuam no jogo político. O PT lidera em número de nomes na lista – tem 12 lideranças listadas. MDB e DEM têm 10, PSD e Progressistas em 9.

Além disso, é rara a presença de parlamentares de primeiro mandato entre os mais influentes. Tábata Amaral (PDT-SP) e Marcel van Hattem (NOVO) são exemplos de exceções à regra, mas, no geral, o debate é controlado por políticos experientes.

“Novatos na Câmara e no Senado acabam encontrando alguma dificuldade porque o espaço é ocupado pelas pessoas que já conhecem o funcionamento das casas, já que tem um trajetória longa no Congresso”, pontua Noronha.

Outros destaques:

-> Partido Novo ativo nos debates. Dos oito deputados federais do Novo, dois aparecem na lista de mais influentes e outros dois aparecem na sessão “Para Ficar de Olho”, que indica aqueles parlamentares que vem crescendo em participação nas discussões. Apesar do número pequeno refletir o tamanho da bancada do partido, a porcentagem de parlamentares influentes dentro da sigla mostra que, mesmo pequeno, o Novo tem conseguido não ser deixado para trás pelos políticos mais experientes. Um exemplo é Tiago Mitraud, que tem atuação forte na discussão da Reforma Administrativa.

-> Estados sem lideranças de força. Além de Goiás, ficaram fora da lista o Espírito Santo, o Rio Grande do Norte e o Pará. Não ter parlamentares fortes no debate pode prejudicar a defesa dos interesses desses estados.