Edilson Rodrigues/Agência Senado

A contratação do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro para atuar como sócio-diretor na empresa norte-americana Alvarez & Marsal, na área de Disputas e Investigações, gerou uma série de questionamentos.

O primeiro revés para Moro surgiu com a notificação enviada a ele pelo Tribunal de Ética da seccional São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), orientando o ex-juiz a não exercer atividades privativas de advocacia na empresa.

Independente das repercussões jurídicas, do ponto de vista político os adversários de Moro – tanto à esquerda quanto à direita – utilizarão o episódio para tentar desgastar a sua imagem. Seja para inviabilizar uma eventual candidatura do ex-juiz à Presidência da República, seja para questionar a isenção de suas decisões à frente da Lava-Jato.

Ainda é cedo para decretar que Moro está fora do jogo da sucessão. No entanto, diante da ira que ele provoca entre os simpatizantes do ex-presidente Lula (PT) e do desgaste de sua credibilidade entre os bolsonaristas, após ele ter deixado o governo “atirando” no presidente Jair Bolsonaro, fica claro que um eventual projeto presidencial de Moro teria de enfrentar uma série de obstáculos. Sem falar nas resistências do Centrão ao seu nome.

Assim, ao aceitar ser sócio-diretor na Alvarez & Marsal, Moro deu ainda mais munição a seus oponentes. Outro problema para o ex-juiz é que, confirmando sua ida para os Estados Unidos, ele tende a perder visibilidade política. Fora isso, na sucessão de 2022, a pauta ética não será tão intensa na agenda eleitoral como em 2018.

Também pesa contra uma candidatura de Moro ao Palácio do Planalto o fato de ele ser visto como um nome “anti-establishment”. Como as eleições municipais deste ano mostraram que o eleitor está sendo mais pragmático, escolhendo gestores experientes, e que a economia é que será o carro-chefe do processo de sucessão, o mercado eleitoral pode não ter interesse em líderes com imagem similar à de Moro.


*Análise Arko – Esta coluna é dedicada a notas de análise do cenário político produzidas por especialistas da Arko Advice. Tanto as avaliações como as informações exclusivas são enviadas primeiro aos assinantes. www.arkoadvice.com.br