Foto: Anderson Riedel/PR

Nas eleições municipais de 2020, os chamados partidos de centro cresceram em número de prefeituras. O Republicanos foi o que apresentou melhor performance em termos percentuais: 98% de alta, em relação a 2016. Em seguida, aparece o DEM, com mais de 70%. Depois, vêm o PP (26%), o PSD (19%) e o PL (13%). Tais legendas estão entre as dez maiores do país em número de prefeituras. Vale lembrar que esses partidos apoiaram o candidato tucano Geraldo Alckmin na corrida pelo Palácio do Planalto em 2018 e que parte do seu fraco desempenho nas urnas foi atribuído à forma como eles foram afetados pelas investigações da Operação Lava-Jato, além do discurso de que representavam a velha política. Mas, como visto, a situação mudou e essa siglas agora tiveram avanço expressivo.

E, nos últimos dois anos, qual foi o comportamento desse grupo? Esses partidos se aproximaram do governo garantindo-lhe governabilidade. Apoiaram a agenda econômica do presidente Jair Bolsonaro, especialmente a Reforma da Previdência, mesmo sendo esta uma pauta impopular; e aumentaram sua participação no governo federal, ocupando cargos tanto no primeiro escalão do governo quanto no segundo. Conclusão: para o centro, a aproximação com o governo federal e o apoio às reformas estruturais e microeconômicas não trouxe prejuízo. Pelo contrário. Dessa forma, a tendência é que o centro continue colaborando com o governo e apoiando sua agenda econômica, levando-se em conta os enormes desafios enfrentados pelo país, em especial nas áreas fiscal e econômica. Esses partidos podem até mesmo intensificar a narrativa de que foram fundamentais para a recuperação da credibilidade econômica do país e manter boas perspectivas para 2022.

O distanciamento do governo pode vir a acontecer, mas não antes do fim de 2021. E, mesmo assim, dependerá de alguns fatores, como o nível de popularidade do presidente na ocasião. Se levarmos em consideração as previsões econômicas, que projetam um crescimento do PIB acima de 3%, à expectativa é positiva, ainda que a avaliação do presidente possa sofrer oscilações negativas no curto prazo, caso não haja uma solução para o auxílio emergencial. Outro fator que poderá definir o relacionamento do centro com o governo é a perspectiva de reeleição do presidente. Se as pesquisas de intenção de voto apontarem uma chance boa de vitória, o pragmatismo tenderá a prevalecer. Se ficar explícito que o eleitor deseja mudança, o desafio de Bolsonaro para manter essas legendas ao seu lado aumentará. O fato é que a relação de Bolsonaro com o centro se mostrou positiva para ambas as partes. E, dessa forma, enquanto continuar produzindo bons resultados para os dois lados, segue o jogo. Ainda que com alguns altos e baixos.

Texto publicado na IstoÉ dia 4/12/2020