Foto: Ministério das Comunicações

Na semana passada, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, anunciou o nome de Carlos Baigorri, diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), como o relator do edital do leilão da tecnologia 5G. Ele foi escolhido por sorteio entre os demais diretores da agência. Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, que serviu também para apresentar Baigorri ao presidente, Faria disse que o governo quer que o leilão aconteça “o mais rápido possível”, e a previsão é junho do próximo ano.

A reunião contou com a presença do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, mas Faria negou tratar-se de “geopolítica”. “Em todos os países, o órgão equivalente ao GSI participa, porque se trata também de segurança nacional”, disse o ministro. “Então, o GSI participa e participará [do processo do leilão 5G]. Tem um papel fundamental.”

Quanto à polêmica em torno da participação ou não no leilão da chinesa Huawei, aliados do presidente tentam convencê-lo a adotar uma “solução híbrida”, ou seja, permitir uma participação limitada, incluindo a companhia em um pool de fornecedoras de equipamentos para 5G. A proposta ganha força em meio à percepção de que discriminar a Huawei provocaria tensões no relacionamento com a China, principal parceiro comercial do Brasil.

Em sua disputa com os chineses, o governo de Donald Trump chegou a oferecer crédito às operadoras de telefonia no Brasil para que não usassem tecnologia da Huawei, líder mundial de fabricação de equipamentos para redes e telecomunicações. Trump atua para que países aliados não adotem a tecnologia da companhia, sob o argumento de que os chineses fazem espionagem com seus equipamentos.

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Ainda na semana passada, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP),defendeu a parceria brasileira com o governo dos Estados Unidos. No Twitter, ele escreveu que o programa americano Clean Network (internet limpa), ao qual o Brasil declarou apoio, visa proteger os participantes de invasões e violações a informações particulares.

Em seguida, o deputado apagou a mensagem. Mas houve reação da Embaixada da China, em Brasília, à acusação do deputado. Pequim acionou o Itamaraty para reclamar da publicação de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. Para a diplomacia chinesa, o parlamentar “solapou” a relação amistosa entre os dois países com declarações “infames” e o Brasil poderá “arcar com consequências negativas”.