Foto: Governo do Estado de São Paulo

O prefeito Bruno Covas (PSDB) venceu Guilherme Boulos (PSOL) e conquistou à reeleição em São Paulo (SP). O resultado é uma grande vitória política para o PSDB, que apesar de sua força no Estado – governa o Palácio dos Bandeirantes desde 1995 – nunca havia reelegido o prefeito da capital.

CANDIDATOS VOTOS VOTOS VÁLIDOS (%)
Bruno Covas (PSDB) 3.169.121 59,38
Guilherme Boulos (PSOL) 2.168.109 40,62
Brancos 273.216 4,39
Nulos 607.062 9,76
Abstenções 2.769.179 30,81

Apesar de José Serra (PSDB) ter sido eleito prefeito em 2004, ele renunciou em 2006 para ser candidato a governador. Em 2008, quem se reelegeu foi Gilberto Kassab, eleito vice de Serra em 2004. No pleito de 2008, o PSDB concorreu com Geraldo Alckmin, mas sequer chegou ao segundo turno.

Vale registrar que nos últimos 32 anos, a única vez que um partido havia conquistado um segundo mandato consecutivo foi o antigo PPB (hoje PP), quando Paulo Maluf fez Celso Pitta seu sucessor na eleição de 1996.

A reeleição de Bruno Covas consagra uma campanha muito bem conduzida pelo prefeito. Covas foi eficiente ao utilizar das ações de combate ao coronavírus – que eram muito criticadas por parte do setor privado – e sua luta contra o câncer como atributos de imagem positivos de um líder que enfrenta e resolve problemas.

Outro acerto estratégico de Bruno Covas foi o posicionamento no campo da centro-esquerda, explorando a relação com seu avô, o ex-governador Mário Covas. Com isso, o prefeito reeleito conseguiu “esconder” o governador João Doria, que carrega um grande desgaste na capital paulista. Dentro desse posicionamento, o apoio de Marta Suplicy (Sem partido) também foi importante para atrair parte da centro-esquerda a Covas.

No entanto, a vitória de Covas é também uma vitória de Doria, já que a aliança que uniu PSDB, DEM e MDB em torno do prefeito reeleito foi construída como um laboratório de um projeto de centro visando a eleição presidencial de 2022.

Mesmo tendo perdido a eleição, Guilherme Boulos (PSOL) conseguiu se projetar ainda mais como uma grande liderança nacional da esquerda. Mais do que isso, Boulos representa uma nova geração da esquerda. Líder do MTST, possui um enraizamento social parecido com o do ex-presidente Lula (PT).

O resultado pode ser considerado uma vitória política para Guilherme Boulos, que conseguiu chegar ao segundo turno tendo apenas 17 segundos de tempos de TV no primeiro turno. Boulos realizou uma campanha digital muito eficiente. O candidato do PSOL tenha um forte engajamento nas mídias sociais.

Através da mobilização do eleitor jovem, de maior renda e escolaridade, teve uma militância orgânica no WhatsApp, que disseminava conteúdos de campanha e gerava mobilização espontânea. A campanha de Boulos também trouxe novidades de como operar no meio digital sem tempo de TV como, por exemplo, as transmissões do dia-a-dia da ao vivo durante 24 horas.

Covas precisará construir maioria na Câmara

A coligação que reelegeu Bruno Covas (PSDB, MDB, PP, Podemos, PSC, PL, Cidadania, DEM, PTC, PV e PROS) elegeu 25 dos 56 vereadores da Câmara Municipal, ou seja, 45,45% da Casa. Mesmo que a aliança de Covas tenha 11 partidos, o prefeito precisará construir maioria.

PARTIDOS VEREADORES
PT 8
PSDB 8
PSOL 6
DEM 6
Republicanos 4
Podemos 3
PSD 3
MDB 3
Patriota 3
Novo 2
PSB 2
PL 2
PSL 1
PP 1
PV 1
PSC 1
PTB 1

Apesar desse desafio, a tendência é que Bruno Covas tenha maioria, pois o Republicanos, Podemos, PSD, PSB, PSL, PSC e PTB, partidos que apoiaram outros candidatos na eleição e que somam 15 vereadores, poderão entrar para a base de Covas.

Com isso, o prefeito terá 40 dos 55 vereadores na Câmara – 72,72% da Casa. A oposição, por sua vez, será restrita a PT e PSOL, que terão apenas 16 vereadores.