Foto: Carlos Moura/STF

Mesmo sem ter os números oficiais relativos à abstenção, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, saudou os eleitores brasileiros, os quais, segundo ele, mesmo em meio a uma pandemia que já levou a vida de mais de 165 mil pessoas, “compareceu de maneira significativa às urnas, dando legitimidade continuada à democracia brasileira”.

O ministro deu entrevista coletiva por volta das 21h deste domingo (15), quando a apuração ainda estava em curso e registrando atrasos na maioria das cidades. Apesar disso, ele disse que foi possível realizar uma eleição com segurança em relação à saúde pública e capaz de fornecer resultados totalmente fidedignos.

No momento da entrevista, o tribunal ainda não tinha os dados finais de número de eleitores que votaram, e o ministro estimou que o índice de abstenção deve ficar entre 30% e 35%, acima portanto da média histórica que varia de 20% a 25%.

— Temos agora totalizados 62% dos votos e ainda não temos o número de abstenção, mas essa foi uma eleição em meio a uma pandemia, portanto, uma comparação justa teria que ser com algum pleito em outra pandemia. Como não houve, não temos essa referência. Imagino que estejamos com 30% ou um pouco mais, conforme informações preliminares. Ainda assim, para uma eleição em que as consequências do não comparecimento são pequenas, se tivermos 65% de comparecimento às urnas em meio a uma pandemia como essa, a democracia brasileira sairá fortalecida — avaliou.

Fake News

Em relação à disseminação de notícias falsas, o ministro disse que a Justiça Eleitoral venceu a batalha, visto que a circulação foi considerada baixa nestas eleições, sobretudo se for levado em conta o grande número de municípios e de candidatos na disputa.

Segundo Barroso, as fake news são fruto da atuação de grupos hierarquizados que contratam mercenários que difundem inverdades para prejudicar alguém ou obter algum tipo de benefício.

— A parceira que fizemos com as plataformas tecnológicas e com as agências checadoras de noticias, além da atuação da comunicação social muito pró-ativa em desmentir qualquer notícia falsa nos permitiu vencer essa batalha — avaliou.

Desconfiança

O ministro foi indagado por jornalistas sobre as críticas da família Bolsonaro ao sistema eletrônico de votação e sobre a disseminação nas redes sociais de teorias que duvidam da lisura do sistema brasileiro.

Luís Roberto Barroso afirmou que a votação eletrônica é usada no Brasil desde 1996 e já elegeu Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef e Jair Bolsonaro. Neste período, acrescentou, nunca houve comprovação de fraude ou tampouco um resultado nas urnas que não correspondesse à vontade popular.

O magistrado disse ainda que não tem controle sobre o imaginário das pessoas e lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já rejeitou por maioria a possibilidade de impressão do voto.

— O sistema de votação de um país é uma decisão democrática coletiva […] A eleição digital eliminou o risco de fraude e voltar ao papel me parece algo que não atende ao melhor interesse público. É inequívoco — opinou.

Violência

A ocorrência de crimes políticos também foram temas abordados na entrevista. O ministro Barroso disse que a violência é um problema endêmico, sem relação direta com o processo eleitoral, e lembrou que ocorrem 60 mil homicídios por ano no Brasil, o que faz do país um dos mais violentos do mundo.

— Ao longo do processo eleitoral essa violência não para e até pode se agravar pontualmente em relação à politica, mas é um número de casos limitado. A Justiça Eleitoral não cuida especificamente de segurança, mas é um problema relevante para o Brasil. Nenhum país se torna desenvolvido com esse índice de violência. Há problemas com milícia, tráfico de drogas e, associado a isso, espaços em que o Estado não chega, onde os poderes político e econômico são exercidos pela criminalidade organizada — avaliou.

Fonte: Agência Senado