Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

No próximo dia 15, milhões de eleitores vão às urnas para escolher os gestores de suas respectivas cidades (prefeitos) e aqueles que os representarão nas câmaras de vereadores pelos próximos quatro anos. Considerando o futuro desafiador que o país tem pela frente, trata-se de uma eleição de extrema importância. A escolha dos nossos representantes precisa ser baseada em critérios rígidos de ética e responsabilidade. Afinal, nossas escolhas terão impacto não apenas no nosso dia a dia, mas no de toda a nossa comunidade. Mais ainda, nossos filhos e netos serão impactados por elas. O voto, portanto, precisa ser consciente. Mas o que é um voto consciente?

Antes de qualquer coisa, é preciso conhecer os problemas da cidade em que você mora. Sabendo disso, poderá avaliar se esses problemas estão sendo contemplados nas propostas dos candidatos. Avalie se essas propostas são exequíveis. Não é raro ver candidatos com ideias mirabolantes. Ou que prometem soluções para problemas que não são de sua competência, mas do Estado ou da União.

É preciso saber quem são os candidatos. Verificar seu passado político, seu envolvimento em denúncias de corrupção. A que partido estão filiados? Quantas vezes mudaram de legenda? No caso de prefeitos, quem são seus vices? Lembre-se de que, havendo vacância do cargo de prefeito, o vice assumirá. Por vezes não é raro o eleitor se surpreender ao descobrir quem é o vice daquele que ele escolheu para ocupar um cargo majoritário. No caso dos candidatos a prefeito que tentam a reeleição, procure saber como foi sua gestão. Se, quando esteve no cargo, ele cumpriu o que foi prometido durante a campanha. Para aqueles que já ocuparam o cargo, veja como foi a qualidade de sua gestão. O voto consciente pressupõe o voto em benefício da sociedade, não em vantagens pessoais. Não devemos perguntar o que ganhamos individualmente votando em um candidato A ou B, mas o que de positivo ele poderá trazer para a cidade.

Há inúmeras formas de buscar essas informações. Muitas vezes elas estão espalhadas e precisam de um mínimo de esforço por parte do eleitor.

A Justiça Eleitoral fornece uma série de informações. O horário eleitoral gratuito é também uma boa oportunidade. A imprensa, de uma forma geral. A internet, as mídias sociais do próprio candidato. Mais importante: sua participação e seu dever como eleitor consciente não terminam com o ato de votar. Acompanhe o trabalho daqueles a quem você confiou o seu voto. Há canais de comunicação com os eleitos. Não esqueça em quem votou hoje para poder cobrar dele amanhã. Maus políticos se escondem na certeza de que quem os escolheu, em quatro anos, esquecerá em quem votou.

Texto publicado na IstoÉ dia 6/11/2020

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Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.