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Como mostram as pesquisas eleitorais mais recentes, Eduardo Paes (DEM) lidera a corrida pela Prefeitura do Rio de Janeiro, com 31% das intenções de voto. Apesar da larga distância entre ele e os segundos colocados, a diferença não garante ao ex-prefeito uma vitória no primeiro turno. O segundo lugar é disputado pelo atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que tem 15% das intenções de voto, e a deputada estadual Martha Rocha (PDT), que tem 13% – tecnicamente empatados. Os dados são da pesquisa Datafolha.

Contudo, apesar da disputa muito apertada, o clima político desfavorece Crivella no segundo turno, pontua o analista político da Arko Advice, Carlos Eduardo Borenstein. “Caso enfrente Crivella, que segundo o último Datafolha é rejeitado por 57% dos eleitores, Eduardo Paes deve confirmar o favoritismo no segundo turno”, afirma.

Já Martha Rocha pode acabar atraindo o voto de outros candidatos que podem ser eliminados no primeiro turno. “Outro aspecto que não deve ser descartado é a possibilidade do eleitor de esquerda, principalmente quem hoje declara voto na ex-governadora Benedita da Silva (PT) e na deputada estadual Renata Souza (PSOL), lançar mão do chamado voto útil para levar Martha Rocha ao segundo turno”, destaca Borenstein.


Veja a análise completa na entrevista:

No Rio, Eduardo Paes lidera as pesquisas. Esse favoritismo deve se manter no segundo turno?

Eduardo Paes (DEM) deixou a Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ), em 2017, bem avaliado. A administração mal avaliada do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), o que coloca naturalmente Paes como um player muito competitivo. Caso enfrente Crivella, que segundo o último Datafolha é rejeitado por 57% dos eleitores, Eduardo Paes deve confirmar o favoritismo no segundo turno. No entanto, caso Paes tenha que enfrentar a deputada estadual Delegada Martha Rocha (PDT), a disputa ficará em aberto no segundo turno. Mesmo que o fato de ter sido um bom gestor jogue a favor de Paes, principalmente após o fracasso do governo Wilson Witzel (PSC), que se elegeu na onda a “anti-política”, Martha Rocha é a novidade da eleição e pode surpreender se chegar ao segundo turno.

O apoio de Bolsonaro deve ter impacto no resultado?

Poderá ser importante para Marcelo Crivella. Como o presidente Jair Bolsonaro tem o apoio de cerca de 1/3 do eleitorado fluminense, ele poderá contribuir para levar Crivella ao segundo turno. No entanto, como a rejeição do presidente gira em torno de 40%, há limites para esse apoio. Assim, se por um lado, o presidente pode ajudar a levar parte do voto bolsonarista para o candidato que apoia — Marcelo Crivella — também pode atrair a rejeição de seu governo para o prefeito.

Quem teria mais chances em um segundo turno: Crivella ou Martha Rocha?

A disputa está tão equilibrada que é difícil cravar um favorito. Marcelo Crivella tem a seu favor a fidelidade do eleitorado evangélico e a penetração junto ao eleitorado de baixa renda, principalmente entre quem possui renda mensal de até dois salários mínimos. Ao mesmo tempo, Crivella é muito mais rejeitado que Martha Rocha (57% contra 11% segundo o último Datafolha), o que pode beneficiar a candidata do PDT. Outro aspecto que não deve ser descartado é a possibilidade do eleitor de esquerda, principalmente quem hoje declara voto na ex-governadora Benedita da Silva (PT) e na deputada estadual Renata Souza (PSOL), lançar mão do chamado voto útil para levar Martha Rocha ao segundo turno.