Lula e Ciro Gomes se encontra no Instituto Lula. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Em meio à divisão das esquerdas na grande maioria das capitais, o ex-presidente Lula (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) selaram uma reaproximação. Embora setores da esquerda passem a especular sobre uma eventual aliança entre PT e PDT para as eleições presidenciais de 2022, há uma série de obstáculos a serem superados para que isso se concretize.

A composição Lula/Ciro passou a ser ventilada após o marqueteiro João Santana – responsável pela reeleição de Lula em 2006 e pela eleição e reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014 – defender que uma chapa tendo Ciro Gomes como candidato ao Palácio do Planalto com Lula de vice seria “imbatível em 2022”.

Por enquanto, o tema é precipitado. Primeiro, porque Lula está enquadrado na Lei do Ficha Limpa. Segundo, porque, até 2022, a reaproximação entre eles poderá naufragar, conforme se deu em 2018. Mesmo que PT e PDT estejam juntos na disputa pela sucessão do presidente Jair Bolsonaro, a sonhada união das esquerdas ainda é uma engenharia política complexa.

Vale lembrar que, além de Ciro e Lula, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), assim como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), estarão na bolsa de apostas como presidenciáveis. E que o PSOL deverá ter candidatura própria em 2022.

Outro aspecto é que a reaproximação entre Lula e Ciro enfrenta obstáculos internos. Na última quinta-feira (29), por exemplo, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, cobrou um pedido de desculpas por parte de Ciro ao ex-presidente devido aos ataques que vinham sendo feitos a Lula desde as eleições de 2018.

É possível que o entendimento entre Lula e Ciro tenha como foco o segundo turno das eleições municipais em algumas capitais. O PDT, por exemplo, tem interesse no apoio do PT em Fortaleza, onde José Sarto (PDT) disputa com Luizianne Lins (PT) quem chegará ao segundo turno contra o Capitão Wagner (PROS). E no Rio de Janeiro, onde Martha Rocha (PDT), caso chegue ao segundo turno, dependerá de uma união das esquerdas para fazer frente a Eduardo Paes (DEM). Já em Porto Alegre, o PT, que apoia Manuela D’ Ávila (PCdoB), busca o apoio do PDT no segundo turno.


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