Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Em entrevista à Arko Advice, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), autor do PLP nº 19/19, que dispõe sobre a autonomia do BC, avaliou que a inclusão da meta para pleno emprego entre os objetivos da instituição é o “tendão de Aquiles” do texto.

“É bonito a gente falar na inclusão do pleno emprego, mas o Banco Central não pode cuidar disso, ele tem um mandato diferente”, analisa o senador.

Ele considera que o projeto realmente deve ser votado no dia 3 de novembro, como previsto. “Dando essa autonomia ao Banco Central, estaremos dizendo ao investidor: invista aqui que a política econômica será essa”, pontua.

Confira a entrevista completa:

Arko Advice: O Senado marcou para o dia 3 de novembro a votação do projeto de lei sobre a autonomia do Banco Central. Ele será aprovado?

Plínio Valério: Tento a acreditar que o projeto vai ser votado no dia 3 porque já foi retirado de pauta duas vezes. O problema que está havendo é que o PT quer pôr no pacote do PL do Banco Central um projeto que já tenta emplacar há algum tempo. Mas acredito que ele será colocado na pauta na data marcada porque é um projeto já acordado, acertado com o governo. Havia divergência, mas o presidente Davi Alcolumbre se encarregou de resolver essa parte. Dando essa autonomia ao Banco Central, estaremos dizendo ao investidor: invista aqui que a política econômica será essa.

Dando essa autonomia ao Banco Central, estaremos dizendo ao investidor: invista aqui que a política econômica será essa

Arko Advice: Qual sua avaliação sobre a inclusão do pleno emprego como um dos objetivos do BC será aprovada?

Plínio Valério: Essa é uma emenda polêmica. O maior entrave para se fechar um acordo foi justamente essa inclusão. Na realidade, ela dá um duplo mandato à direção do Banco Central. É bonito a gente falar na inclusão do pleno emprego, mas o Banco Central não pode cuidar disso, ele tem um mandato diferente. O pessoal do governo até concordou, mas foi o mercado que se assustou com essa emenda, que já havia sido rejeitada no primeiro relatório do senador Telmário Mota (PROS-RR) e agora voltou. Esse é o ponto nevrálgico, o tendão de Aquiles do projeto.

Arko Advice: E a PEC Emergencial (nº 186/19), o Senado ainda vota neste ano?

Plínio Valério: Não acredito que a gente vote a PEC Emergencial nem tampouco a Reforma Tributária. Essa história de transferir votações para o dia 3 de novembro é muito arriscada porque não vamos ter quórum daqui para a frente.

PEC Emergencial não vai ser votada este ano de maneira nenhuma. Se for votada, não conheço mais nada de política.

Mas, se realizarmos por sistema remoto, pode ser que ainda se vote alguma coisa. Já a PEC Emergencial não vai ser votada este ano de maneira nenhuma. Se for votada, não conheço mais nada de política.