Nesta semana, a disputa pela prefeitura de São Paulo se acirrou com a queda de sete pontos percentuais do candidato Celso Russomanno (Republicanos), de acordo com a pesquisa Datafolha publicada na quinta-feira. O candidato que até agora mantinha a dianteira na disputa caiu para 20% das intenções de voto, dando o primeiro lugar para o atual prefeito Bruno Covas (PSDB).

Na avaliação do analista político da Arko Advice, Carlos Eduardo Borenstein, se Russomanno continuar perdendo pontos, pode não ter fôlego para chegar ao segundo turno, abrindo a possibilidade de que Guilherme Boulos (PSOL) ou Márcio França (PSB) continuem na disputa. “Caso Boulos continue em ascensão, a tendência é que o eleitor de esquerda faça o chamado voto útil – quando o eleitor escolhe estrategicamente o candidato de seu campo ideológico com mais chance de chegar ao segundo turno ou vencer a eleição”, analisa.

Para Borenstein, a mudança de cenário representa uma ameaça à Covas. “Um eventual embate de Covas contra Guilherme Boulos ou Márcio França a disputa seria mais difícil. Márcio teria condições de atrair o voto de esquerda e até de centro-direita contra o PSDB. E Boulos é a grande novidade da eleição, o que sempre traz mais dificuldades para o candidato que busca à reeleição”.

Na avaliação do analista político, Márcio França é o nome que teria mais força contra Covas, já tem a possibilidade de atrair eleitores de centro.

Confira a análise completa na entrevista:


Qual é a situação em São Paulo hoje? Quem são os candidatos mais fortes?

Temos quatro candidaturas competitivas. O prefeito Bruno Covas (PSDB), que busca um novo mandato, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), Guilherme Boulos (PSOL) e o ex-governador Márcio França (PSB). As demais alternativas podem crescer, mas não devem ameaçar os quatro primeiros colocados.

Russomanno esteve na frente por semanas e agora Covas parece que está conquistando eleitores. Você vê a possibilidade de uma virada?

Inicialmente houve uma leitura precipitada sobre a polarização da disputa entre Russomanno e Covas. Nós, na Arko Advice, temos afirmando em nossas avaliações sobre a disputa na capital paulista que a polarização inicial não era definitiva.

Como tem o maior tempo de TV, estrutura partidária e tempo de TV, a tendência é que Bruno Covas esteja no segundo turno. Com a queda de Celso Russomanno, a disputa se acirrou. Hoje, quem tem mais condições de chegar no segundo turno contra Covas é Guilherme Boulos (PSOL), que apostando nas redes sociais e na capacidade de mobilização de sua militância, caracterizada por uma grande organicidade, tem conseguido crescer nas pesquisas. Outro aspecto que beneficia Boulos é o fato deve ser a novidade do pleito, já que Bruno é o atual prefeito, Russomanno é um candidato “antigo” e Márcio França já foi governador. Além dele, França, que por ora está estagnado nas pesquisas, também é competitivo. Vale lembrar que no segundo turno da eleição de 2018 para governador, Márcio França venceu a disputa contra João Doria (PSDB) na capital paulista, acumulando um importante recall.

Caso Boulos continue em ascensão, a tendência é que o eleitor de esquerda faça o chamado voto útil – quando o eleitor escolhe estrategicamente o candidato de seu campo ideológico com mais chance de chegar ao segundo turno ou vencer a eleição – o que poderá levar a esquerda ao segundo turno contra Covas, deixando Russomanno de fora do segundo turno mais uma vez.

No segundo turno o cenário muda? Que alianças devem ser formadas e quem sai fortalecido?

O segundo turno ideal para Bruno Covas seria contra Celso Russomanno, pois os votos que hoje estão com Guilherme Boulos, Márcio França e Jilmar Tatto – cerca de 1/3 – devem migrar para Covas, pois Russomanno é o candidato do bolsonarismo. Já um eventual embate de Covas contra Guilherme Boulos ou Márcio França a disputa seria mais difícil. Márcio teria condições de atrair o voto de esquerda e até de centro-direita contra o PSDB. E Boulos é a grande novidade da eleição, o que sempre traz mais dificuldades para o candidato que busca à reeleição – caso de Bruno Covas.

Qual candidato teria chance de vencer Covas no segundo turno?

Acredito que Márcio França, pois além de uma candidatura que transita junto ao eleitor de centro, poderia atrair quem deseja derrotar o PSDB mas ao mesmo tempo rejeita votar na esquerda clássica. Não que uma eventual disputa contra Russomanno ou Boulos seja fácil. Porém, contra Russomanno, o antibolsonarismo migraria para Covas. E contra Boulos, o eleitor de centro-direita optaria pelos tucanos à Boulos.

Não é a primeira vez que Russomanno se candidata a prefeito e perde força na reta final. O que explica esse fenômeno?

Russomanno possui uma base junto ao eleitorado evangélico e de baixa renda. No entanto, devido a contradições que sua imagem carrega, encontra dificuldades para penetrar junto ao eleitorado de maior renda e escolaridade.


*Análise Arko – Esta coluna é dedicada a notas de análise do cenário político produzidas por especialistas da Arko Advice. Tanto as avaliações como as informações exclusivas são enviadas primeiro aos assinantes. www.arkoadvice.com.br