Bolsonaro se reúne com Robert O’Brien, Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA. Foto: Marcos Corrêa/PR

Os acordos comerciais firmados entre Brasil e Estados Unidos nesta semana tiveram uma boa repercussão no mercado. Por mais que a redução de taxas entre os dois países tenha ficado de fora, a indústria brasileira avaliou o movimento como uma aproximação que no futuro pode abrir portas maiores.

Na segunda-feira (19) foi assinado um Acordo de Comércio e Cooperação Econômica, que vinha sendo planejado desde 2011.

Na prática, o acordo reduz burocracias em operações de exportação e importação e reduz a demora e o custo das operações. Para isso, são instituídos documentos e pagamentos eletrônicos e a aplicação de procedimentos de automação na gestão de riscos. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), esse tipo de medida tem o potencial de cortar os custos no comércio internacional em até 14%.

O texto também alinha os dois países em práticas regulatórias para o comércio exterior, o que tem potencial de descomplicar o trânsito de mercadorias entre os dois países.

Além disso, nesta terça-feira (20) foi assinado um Memorando de Entendimento com objetivo de aquecer o mercado entre os EUA e Brasial. O acordo firmado disponibiliza até US$ 1 bilhão em investimentos no Brasil a partir do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (EximBank).

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A verba será usada em projetos voltados ao setor de telecomunicações (incluindo tecnologia 5G), energia (incluindo nuclear, petróleo e gás e renováveis), infraestrutura, logística, mineração e manufatura (incluindo aeronaves), de acordo com informações da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Um primeiro passo em direção a um acordo de livre comércio

Apesar de ter sido considerado “tímido”, ainda assim o acordo foi recebido com animação pelo mercado. Isso porque os empresários enxergam o início de um aprofundamento na relação comercial entre Estados Unidos e Brasil.

O mercado se animou também com a fala do conselheiro de Segurança dos EUA, Robert O’Brien, que chefiava a comitiva. “Acho que os passos que serão anunciados hoje serão um sinal muito positivo para o futuro, para um acordo de colaboração ainda mais abrangente entre EUA e Brasil e, em última instância, pode levar a um acordo de livre comércio entre os países, mas queremos fazer isso passo a passo”, afirmou O’Brien

Além de eliminar burocracias, um acordo de livre comércio teria o efeito de reduzir ou retirar taxas cobradas no comércio entre os dois países.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o mais importante é que as tratativas desta semana são o “pontapé inicial” de uma parceria mais profunda.

“Em apenas dois anos, o governo federal concluiu a negociação de dois acordos econômicos importantes com os EUA, relacionados à base de Alcântara e ao pacote comercial. Há grande expectativa no setor privado para iniciarmos as negociações dos acordos de livre comércio e para evitar a dupla tributação”, explica Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

A visão é compartilhada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil. “O comércio bilateral de bens e serviços é da ordem de US$ 80 bilhões por ano e o estoque mútuo de investimentos supera US$ 110 bilhões. Esses números são expressivos, mas em se tratando das duas maiores economias das Américas, há um enorme espaço para crescimento. O acordo será um estímulo nesse sentido”, afirma Deborah Vieitas, presidente a instituição.