Candidato João Campos (PSB) em campanha no Recife. Foto: Divulgação

A última pesquisa do Ibope, divulgada na última quinta-feira (15), mostrou um salto de popularidade do candidato a prefeito do Recife (PE), João Campos (PSB). Ele passou de 23% das intenções de voto na pesquisa anterior para 33%, aumentando sua vantagem em relação aos demais candidatos.

Se o resultado se repetir nas urnas, Campos terá garantido um lugar no segundo turno. Resta saber quem será o segundo candidato a garantir continuidade na disputa. A pesquisa do Ibope mostra que três nomes seguem tecnicamente empatados no segundo lugar: José Mendonça Filho (DEM) com 18%, Marília Arraes (PT) com 14% e Delegada Patrícia (Podemos), com 13%.

Para o analista político da Arko Advice, Carlos Eduardo Borenstein, é justamente nessa segunda fase que a liderança de Campos será desafiada.

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“Mendonça Filho, que se apresenta como candidato da mudança, é um político experiente e poderá crescer atraindo o voto de direita. Marília Arraes conta com o ex-presidente Lula (PT) como cabo eleitoral. A outra candidata competitiva é a Delegada Patrícia Domingos (Podemos), que se apresenta como a representante da ‘antipolítica’ e a candidata que ‘não possui cacique’, buscando um contraditório com João Campos”, avalia Borenstein.

O especialista analisa que a candidata do Podemos é quem tem mais chance contra Campos em um eventual segundo turno. “Para João Campos, a Delegada Patrícia seria uma candidata mais difícil de ser enfrentada, pois representa a novidade e atrairia o eleitorado de Mendonça Filho”, pontua.

Confira a análise completa na entrevista:


O que explica a liderança de João Campos?

O deputado federal João Campos (PSB) tem conseguido se apresentar como o candidato da continuidade e mudança ao mesmo tempo. Além de defender o legado do prefeito Geraldo Júlio (PSB), que está no seu segundo mandato, João também consegue surfar na onda da mudança, explorando o fato de ser uma novidade na política.

As ligações familiares dele têm peso em sua imagem?

Em parte. Vale lembrar que há uma divisão na família, já que a deputada federal Marília Arraes (PT) é neta do ex-governador Miguel Arraes (PSB). O fato de João Campos ser filho do ex-governador Eduardo Campos (PSB) funciona, sem dúvida, como uma referência. No entanto, em seu programa de TV, o candidato enfatiza que “possui luz própria”. Ou seja, busca também se postar como uma renovação, fugindo do rótulo que seus adversários tentam colar nele de supostamente ser “um candidato de caciques”.

Com quais eleitorados ele tem mais força?

Segundo a última pesquisa do instituto Ibope, João Campos tem sua força concentrada entre os eleitores de 16 a 24 anos. Também vem ganhando terreno junto aos evangélicos, e atrai majoritariamente quem aprova a gestão do prefeito Geraldo Júlio.

Nas pesquisas, ele aparece com uma boa distância do segundo colocado. Dá pra dizer que ele está isolado na frente?

Como cerca de um terço do eleitorado de Recife aprova a administração Geraldo Júlio e João Campos representa esse legado, a tendência é que o candidato do PSB esteja no segundo turno. No entanto, como 30% desaprovam o atual prefeito, e 40% o avaliam como regular, João Campos busca também se reinventar. Por isso a estratégia de se apresentar como continuidade e mudança/renovação ao mesmo tempo. Por enquanto, o posicionamento de João Campos está funcionando, já que ele cresceu 10 pontos percentuais em cerca de uma semana.

Que fatores poderiam virar o jogo na disputa pela prefeitura de Recife?

A eleição na capital pernambucana será uma das mais disputas do país. Com João Campos perto do segundo turno, a incógnita é quem será seu adversário. Três nomes estão na disputa: o ex-ministro Mendonça Filho (DEM), a deputada federal Marília Arraes (PT) e a Delegada Patrícia Domingos (Podemos).

Mendonça Filho, que se apresenta como candidato da mudança, é um político experiente e poderá crescer atraindo o voto de direita, já que cidade vem de 20 anos de governos de esquerda (PT governou a cidade de 2000 a 2012 e o PSB a partir de 2012).

Marília Arraes conta com o ex-presidente Lula (PT) como cabo eleitoral. Além disso, é neta de Miguel Arraes e Recife é a capital onde a identificação partidária com o PT é muito expressiva (35%). No entanto, João Campos ajuda a dividir o eleitor de esquerda, o que pode prejudicar Marília na disputa por uma vaga no segundo turno.

A outra candidata competitiva é a Delegada Patrícia Domingos (Podemos), que se apresenta como a representante da “antipolítica” e a candidata que “não possui cacique”, buscando um contraditório com João Campos.

Para João Campos, a Delegada Patrícia seria uma candidata mais difícil de ser enfrentada, pois representa a novidade e atrairia o eleitorado de Mendonça Filho. Se João enfrentar Marília, o candidato do PSB teria vantagem, pois a direita deve se abster no segundo turno. E num hipotético segundo turno contra Mendonça, a esquerda e parte do eleitorado de Patrícia também deve migrar para o PSB.


*Análise Arko – Esta coluna é dedicada a notas de análise do cenário político produzidas por especialistas da Arko Advice. Tanto as avaliações como as informações exclusivas são enviadas primeiro aos assinantes. www.arkoadvice.com.br