Foto: Alan Santos/PR

No segundo ano de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro parece ter entendido a necessidade de ter uma forte base de apoio para evitar derrotas no Congresso. Em nome da governabilidade, quase todo o gabinete da liderança na Câmara, que no início era composto pelos deputados mais bolsonaristas do PSL, já é composta em sua maioria por parlamentares do centrão, a nova base aliada de Bolsonaro.

De olho nesse movimento, partidos políticos já começaram a avaliar nomes para compor chapa com Bolsonaro em 2022 em um cenário sem o atual vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). A substituição do general seria uma forma de conseguir uma chapa politicamente mais forte para uma disputa que promete ser mais disputada.

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Vale lembrar que Bolsonaro pode ter que enfrentar antigos aliados com potencial de dividir seu eleitorado, como os ex-ministros Sérgio Moro, nome ainda muito vinculado à pauta de combate à corrupção, e Luiz Henrique Mandetta (DEM), que deixou o governo por não concordar com as ideias de Bolsonaro no combate à pandemia.

E quem seria vice?

Entre os nomes ventilados nos bastidores de Brasília estão aqueles que poderiam fortalecer alianças de Bolsonaro. Visando se colocar como uma opção para compor chapa, Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem se aproximado de Bolsonaro.

Também participam da queda de braço o centrão e a bancada evangélica – dois dos núcleos políticos sobre os quais Bolsonaro tem se sustentado. Já o nome de Tereza Cristina, que vem sendo citado nos bastidores, serviria para ampliar o diálogo com o agronegócio.

PRTB quer Mourão governador

Mourão vem dizendo que tem interesse em ser vice novamente, mas não está parado esperando – tem se movimentado em prol de um “plano B”. A ideia ventilada entre líderes partidários caso Bolsonaro arranje um novo vice é de que o atual saia para disputar uma eleição majoritária. “Mourão é o nosso Pelé”, vem dizendo Levy Fidelix, presidente do PRTB. “Ele pode ser senador, vice ou, quem sabe, disputar o Planalto”, avaliou em entrevista à Veja.

Para o PRTB, Mourão disputar uma eleição seria muito útil. O partido, mais do que nanico, atualmente não tem direito ao fundo partidário por não ter elegido nenhum deputado federal.

Parte do plano para expandir a legenda começou a ser aplicada já nas eleições municipais. Mourão tem atuado como uma verdadeira carta curinga. Com autorização de Bolsonaro, gravou propaganda partidária com diversos candidatos do PRTB, mostrando que está disposto a fazer política e que tem ligação com seu partido.

Hamilton Mourão e Levy Fidelix posam para foto de campanha. Imagem: PRTB

Ao Correio Braziliense, o presidente regional do PRTB no Rio Grande do Sul, Marco Elias Pinheiro disse que o nome de Mourão está sendo visado para uma disputa em nível estadual.

“Hoje, preferimos não levantar essa hipótese para não provocar qualquer tipo de desentendimento no governo federal. Mas no momento aprazado, eu vou fazer essa solicitação ao general Mourão. Gostaria de contar com ele concorrendo ao governo do estado, ou mesmo sendo candidato ao Senado pelo estado. Além de ele contribuir com força política para o Rio Grande do Sul, não tenho dúvidas de que teria uma força eleitoral muito grande. O general Mourão é muito respeitado entre os gaúchos”, avaliou.

Contudo, a substituição de Mourão não seria um chute para fora do governo. Para Bolsonaro, ele ser eleito governador também seria útil. É um aliado certo.