Foto: Oto Godfrey

Nova York sempre foi um grande polo referencial para o setor hoteleiro, mas 2020 se mostrou um ano especialmente calamitoso para este devido à pandemia de Coronavírus. Com o cancelamento de eventos de grande porte, como a Fashion Week e a Maratona de Nova York, além da falta de viajantes de negócios e turistas em geral, o mercado que move cerca de US$ 70 bilhões anualmente se encontra em sua situação mais difícil.

Ainda que em outubro as coisas estejam melhores do que estavam em março, considerado o pior mês da história da indústria hoteleira nova-iorquina, mais de 200 dos cerca de 700 hotéis da cidade permanecem fechados – alguns temporariamente, outros em definitivo – e mais de 870 mil trabalhadores do ramo estão desempregados, impacto do qual levará certamente alguns anos para se recuperar. A previsão para 2021, no entanto, é ainda mais desalentadora – “o ano que vem será muito pior do que qualquer outro ano que já tivemos, com exceção de 2020”, disse Lukas Hartwich, analista de uma empresa de pesquisa imobiliária da cidade.

Outubro costuma ser o mês mais movimentado do mercado hoteleiro nova-iorquino – em 2019, a taxa de ocupação dos hotéis bateu 92% e a diária média de um quarto estava em US$ 336 – mas em 2020 não está sendo assim – na última semana, a taxa de ocupação ficou abaixo de 40% e a diária média não passa de US$ 135. Os empresários do ramo, entretanto, admitem que a ocupação real é bem abaixo disso – deve patinar entre 10% e 20%. Além dos cancelamentos de eventos e de empresas estarem impedindo viagens de seus empresários, a questão da quarentena obrigatória de 14 dias a todo visitante que chegue a Nova York representa enorme barreira.

A solução para muitos hotéis da cidade para não ficarem vazios foi fazer parceria com o Departamento de Serviços para os Sem-Teto para converter hotéis em abrigos temporários, apesar de reações adversas dos vizinhos e daqueles que julgam que tal atitude ferirá a reputação do hotel. Para outros, o jeito foi oferecer estadia para estudantes de faculdade ou para doentes de Covid que queiram se recuperara fora de hospitais e totalmente isolados.