O ministro da Economia, Paulo Guedes, se reúne com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia no Ministério da Economia.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Notícias dão conta de que, pela enésima vez, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltaram a conversar. A trégua, tende a não durar. Afora as questões econômicas, os dois têm personalidade mercurial e não gostam de ser contrariados.

A relação de ambos sempre foi pontuada por desconfianças mútuas. Em Brasília, fontes dão conta das diferenças entre eles. Vamos às informações:

1) Maia acha Guedes atrapalhado, inconveniente politicamente obtuso que fala muito mais do que devia e atrapalha mais do que ajuda. Que se não fosse por ele e pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (PSDB), não teria havido a Reforma da Previdência.

2) Para Maia, Guedes não dura no cargo, a não ser que invente uma fórmula para aumentar os gastos sem furar o teto. Enquanto estiver no comando da Câmara, Maia fará de tudo para emparedá-lo.

3) Guedes acha que Maia é uma estrela cadente que perderá relevância quando deixar o comando da Câmara.

4) Para Guedes, Maia já perdeu controle do Centrão há muito tempo e, mesmo que possa se candidatar à presidência da Casa, não será reeleito.

5) Guedes acredita que a base de apoio político do governo, tema ao qual o presidente da Câmara se refere frequentemente, já o isolou das grandes decisões.

Periodicamente entram bombeiros no circuito e apagam o fogo que, algum tempo depois, retorna na forma de declarações de impacto, já que ambos têm baixíssima consideração um pelo outro. Uma reconciliação ampla entre os dois pode acontecer, já que a política é a arte do possível e já que tanto Guedes quanto Maia, como passionais que são, também se guiam pelo coração. Mas sempre haverá desconfianças. Na prática, o que isso significa? Basicamente, que a agenda de ambos no Congresso será afetada por sabotagens mútuas.

Rodrigo Maia e Paulo Guedes podem – e devem – moderar o discurso de lado a lado. Mas os avanços, neste momento, não dependem deles. E, sim, de Bolsonaro, um presidente cada vez mais popular que, cada vez mais, precisa menos de ambos.

*Análise Arko – Esta coluna é dedicada a notas de análise do cenário político produzidas por especialistas da Arko Advice. Tanto as avaliações como as informações exclusivas são enviadas primeiro aos assinantes. www.arkoadvice.com.br