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Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta que o Brasil já contratou a importação de cerca de 225 mil toneladas de arroz dos Estados Unidos, Índia e Guiana, o que deverá ingressar no país na segunda quinzena deste mês e em novembro. Em quase um mês, as indústrias adquiriram 56,2% das 400 mil toneladas da cota de importação sem tarifas, que o governo brasileiro liberou compras de países fora do Mercosul.

Segundo o Mapa, essas importações de países de fora do Mercosul, realizadas dentro de uma cota de 400 mil toneladas sem tarifa, poderiam atenuar a alta dos preços do arroz, que estão em patamares recordes. Em 9 de setembro, o governo federal zerou a Tarifa Externa Comum (TEC) sobre a importação de arroz de fora do Mercosul, até 31 de dezembro deste ano, com o objetivo de conter a alta nos preços do produto no mercado interno.

Essa redução temporária está restrita à cota de 400 mil toneladas do cereal. Sem a cota, a alíquota de importação do produto adquirido de países fora do Mercosul é de 10% para arroz em casca (sem tratamento industrial); e de 12% para o arroz beneficiado. Aos países que compõem o Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai), a tarifa já é zero.

Especialistas acreditam que a cota de importação de 400 mil toneladas de arroz deve assegurar menos de um mês de abastecimento, porém, pode conter um avanço maior do preço do produto. Isso porque a população brasileira consome em torno de 10,5 milhões de toneladas de arroz por ano e se importar 400 mil toneladas haverá arroz para 15 dias.

EUA

O governo norte-americano informou registro de venda de 71,1 mil toneladas de arroz ao Brasil, mas não deixou claro se esse volume está dentro do total de negócios já fechados com os EUA.

Em 2020, o volume de vendas de arroz norte-americano ao Brasil totaliza 108,3 mil toneladas, o que demonstra a maior venda de cereal pelo país da América do Norte ao Brasil em um ano desde 2003 – quando brasileiros importaram ao todo 486,45 mil toneladas.

Covid-19

Em razão da pandemia, os preços estão elevados porque houve um maior consumo do produto, com crescimento estimado em 2020 de cerca de 5% pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para quase 11 milhões de toneladas. Ainda de acordo com a Conab, isso ocorreu após o país ter entrado no ano com estoques relativamente pequenos, nos menores níveis desde 2014.

O aumento da demanda mundial de alimentos com a preocupação da segurança alimentar gerou no Brasil um cenário propício ao aumento das exportações de arroz em ritmo recorde em relação aos anos anteriores.

2021

A produção brasileira de arroz na safra 2019/2020 em 11,2 milhões de toneladas, segundo estimativa da Conab, atende ao consumo calculado em 10,8 milhões de toneladas. Para o próximo ano, espera-se um crescimento na produção de arroz de 7,2% em relação à safra anterior.