Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O governo Bolsonaro tem investido cada vez mais no Centrão como sua base de articulação política. Agora, em um dança das cadeiras na Câmara dos Deputados, o Palácio do Planalto trocou quase todos os ocupantes do gabinete da liderança. No total, saíram oito dos antigos vice-líderes e outros 10 foram indicados. Agora, 14 deputados ocupam a posição de vice-líder do governo. O limite é de 15. (Veja lista ao final da matéria)

O papel dos vice-líderes é atuar na articulação das pautas defendidas pelo Executivo, podendo substituir o líder do governo em sua ausência.

Dos que saíram, cinco eram do PSL e representavam a ala mais ideológica do bolsonarismo. Entre eles, por exemplo, está Carla Zambelli, defensora de primeira hora do presidente. 

Saiba mais: 

“Quando você tem vice-líderes que são ligados exclusivamente à linha ideológica do presidente, a articulação fica limitada, já que são pessoas que já apoiariam as pautas do governo de qualquer jeito. Trazendo pessoas de outras frentes, você acaba ampliando sua capacidade de articulação”, avalia o cientista político da Arko Advice, Lucas de Aragão.

Depois da substituição, Carla Zambelli disse em entrevista à rádio Jovem Pan que os deputados que deixaram a vice-liderança “continuam sendo soldados do presidente Jair Bolsonaro”. 

De acordo com a equipe da liderança do governo na Câmara dos Deputados, foi adotado um novo critério para escolha dos ocupantes da posição: cada partido da base de apoio ao Governo Bolsonaro indicou, por meio do seu respectivo líder, um vice-líder. 

A troca já era esperada pelos deputados bolsonaristas. Em agosto, o presidente trocou a liderança do governo na Câmara, tirando um parlamentar de seu antigo partido, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), por um nome do Centrão, Ricardo Barros (PP-PR). A troca rendeu resultados positivos para o governo, incentivando a continuidade da estratégia.

Ganhar força na Câmara se torna ainda mais importante agora que as principais pautas do governo se encontram travadas por falta de consenso. Entre elas estão as reformas tributária e administrativa.

Substituições:

Saem: Entram: Permanecem:
Carlos Jordy (PSL/RJ) Luiz Lima (PSL-RJ) Evair Vieira de Melo (PP-ES)
Coronel Armando (PSL/SC) Giovani Cherini (PL-RS) José Medeiros (PODE-MT)
Guilherme Derrite (PP/SP) Lucio Mosquini (MDB-RO) Alusio Mendes (PSC-MA)
Eros Biondini (PROS/MG) Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM)
Aline Sleutjes (PSL/PR) Paulo Azi (DEM-BA)
Caroline de Toni (PSL/SC) Joaquim Passarinho (PSD-PA)
Carla Zambelli (PSL-SP) Gustinho Ribeiro (Solidariedade-SE)
Diego Garcia (PODE/PR) Carla Dickson (PROS-RN)
Greyce Elias (Avante-MG)
Marreca Filho (Patriota-MA)