Foto: European Parliament

Órgãos e líderes da União Europeia (UE) reiteraram a necessidade de compromisso por parte dos países do Mercosul com o desenvolvimento sustentável para que se ratifique o acordo comercial entre os blocos. O acordo foi concluído em junho de 2019, mas ainda não foi assinado. A Comissão disse que a está sendo realizada a revisão jurídica do tratado e que, quando concluída, o órgão vai decidir sobre o procedimento exato para a ratificação, baseada no texto final.

O comissário de Comércio e vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Drombrovskis, disse após reunião com ministros do órgão que se espera um compromisso claro dos países do Mercosul em relação ao Acordo de Paris e ao desmatamento, especialmente do Brasil. O presidente da Comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, o alemão David McAllister, defendeu negociação cuidadosa do acordo para não frustrar um esforço de aproximação que já dura duas décadas. McAllister se disse muito a favor da cooperação econômica entre os blocos, mas afirmou ser necessário tomar muito cuidado com os detalhes.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Europeus de Luxenburgo, Jean Asselborn, reafirmou a necessidade de compromissos tangíveis para proteger o ambiente e combater a desflorestação. A posição é partilhada pelos líderes de outros países europeus, como a França e a Alemanha.

Na semana passada, após as manifestações dos representantes da UE, o governo brasileiro divulgou nota afirmando que que os problemas ambientais podem se agravar se o acordo não entrar em vigor. O documento, que foi elaborado pelos ministérios das Relações Exteriores e Agricultura, afirma que a não entrada do acordo em vigor representa um desincentivo aos esforços do Brasil para fortalecer a legislação ambiental. A nota ainda afirma que há a necessidade dos demais países envolvidos aprofundarem conhecimento sobre a realidade brasileira, e considerarem os dados técnicos disponíveis sobre a temática.