Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) iniciou nesta segunda-feira (21) a sabatina de 32 diplomatas indicados para chefiar embaixadas e escritórios brasileiros em 43 países e em dois organismos internacionais. Os quatro primeiros candidatos ouvidos pelos senadores devem comandar as representações do Brasil em Trinidad e Tobago, Zâmbia, Filipinas, Palau, Micronésia, Ilhas Marshall, Dinamarca e Lituânia.

O diplomata Rodrigo do Amaral Souza é indicado para o cargo de embaixador em Trinidad e Tobago. Ele destacou a localização geográfica da república caribenha como um aspecto estratégico a ser observado pelo Brasil.

— As duas ilhas que compõem o país ficam muito próximas à Venezuela e ao Canal do Panamá, por onde passa boa parte do transporte de carga entre o Atlântico e o Pacifico. Também é uma plataforma de observação interessante para examinar a presença chinesa no Caribe. É para esse país que são direcionados grandes volumes de investimento na área de construção e infraestrutura — destacou.

A indicação do diplomata (Mensagem 38/2020) foi relatada pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES). Amaral Souza nasceu em São Paulo e tem 63 anos. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas em 1979, ingressou no Instituto Rio Branco em 1982. Serviu em Buenos Aires (Argentina), Guayana (Venezuela), Bridgetown (Barbados), Santiago (Chile) e Roma (Itália). É embaixador do Brasil em Manila (Filipinas) desde 2016.

O diplomata Arthur Henrique Villanova Nogueira é indicado para o cargo de embaixador em Zâmbia. Ele destacou que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela atual representação brasileira no país. Na área comercial, quer promover a cooperação, a realização de feiras e a prospecção de oportunidades comerciais, especialmente no agronegócio.

— Promover missões empresariais de máquinas e equipamentos de irrigação e fertilizantes. Combate à praga do milho, que é o alimento principal da Zâmbia. Existe uma cooperação que já começou na área de biocombustíveis e o desenvolvimento genético do rebanho bovino. Além disso, a tecnologia da informação e os farmacêuticos são setores promissores para os interesses comerciais brasileiros — sublinhou.

A indicação de Villanova Nogueira (Mensagem 15/2020) foi relatada pelo senador Chico Rodrigues (RR-DEM). O diplomata nasceu em Belo Horizonte (MG) e tem 64 anos. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo em 1980, ingressou no Instituto Rio Branco no mesmo ano. Atuou em Abu Dhabi (Emirados Árabes), Havana (Cuba), Montreal (Canadá), Nairóbi (Quênia) e Belgrado (Sérvia). Serve como ministro-conselheiro na embaixada de Hanói (Vietnã) desde 2016.

O diplomata Antonio José Maria de Souza e Silva é indicado para o cargo de embaixador em Filipinas, Palau, Micronésia e Ilhas Marshall. Ele destacou que a Ásia é uma das regiões “mais vibrantes e de maior dinamismo no mundo”. O indicado também reforçou a importância do agronegócio para as relações comerciais entre os dois países.

— A ponta da nossa inserção tem sido os produtos do agronegócio. A excelência, a qualidade, os preços e a segurança sanitária fazem dos nossos produtos altamente competitivos. Obviamente, com isso começam a surgir “irritantes”. Especificamente nas Filipinas, temos esse “irritante” recente, com a suspensão das exportações brasileiras de frango. Uma das funções que vejo é estarmos permanentemente defendendo a imagem do Brasil e do agronegócio e de outros produtos para ampliar nosso mercado externo — afirmou.

A indicação de Souza e Silva (Mensagem 43/2020) teve como relator o senador Humberto Costa (PT-PE). O diplomata nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e tem 70 anos. Formado pela Faculdade de Direito Cândido Mendes, ingressou na carreira diplomática em 1976. Serviu em Trípoli (Líbia), Nova York (Estados Unidos), Guatemala (Guatemala), Assunção (Paraguai), Islamabad (Paquistão), Buenos Aires (Argentina), Praga (República Checa), Brazavile (Congo), Díli (Timor Leste) e Maputo (Moçambique). É embaixador em Rangum (Birmânia) desde 2016.

O diplomata Rodrigo de Azeredo Santos é indicado para o cargo de embaixador na Dinamarca e na Lituânia. Ele disse que a Dinamarca tem apoiado pleitos brasileiros, como o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e o ingresso como membro pleno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O indicado lembrou que o país escandinavo prioriza temas como direitos humanos, agenda climática, livre comércio, cooperação internacional e segurança.

— Temos muito a aprender com a experiência dinamarquesa na relação ao meio ambiente e a mudança do clima. Brasil e Dinamarca têm uma cooperação em ciência, tecnologia e inovação muito importante nas áreas de saúde, energia renovável e biotecnologia. Pretendo ter como prioridade, os seguintes temas: apoio à comunidade brasileira, atração de novos investimentos dinamarqueses para o Brasil e promoção da imagem e da sustentabilidade da agricultura brasileira — destacou.

O relatório para a indicação de Azeredo Santos (Mensagem 27/2020) foi feito pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA) e lido pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT). O diplomata tem 54 anos. Formou-se em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1986 e ingressou no Instituto Rio Branco em 1992. Atuou nas representações do Brasil em Washington (Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina) e Londres (Inglaterra). É chefe do posto na embaixada de Teerã (Irã) desde 2017.

Fonte: Agência Senado