Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Para ministro, queda de 9,7% no PIB no segundo trimestre é reverberação do início da pandemia e não reflete mais o cenário econômico no Brasil

Ao falar sobre a queda de 9,7% no PIB do segundo trimestre de 2020, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou que, em junho, a economia já começou a dar sinais de retomada. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é a pior já registrada desde 1996, quando teve início a série histórica de registro semestral do PIB. Ainda assim, para Guedes, há sinais de melhora.

“Com todas as medidas [de combate à pandemia] que fizemos, conseguimos criar uma volta em forma de ‘V’. Nossas medidas foram vigorosas. Enquanto em vários países houve demissões em massa, 11 milhões de emprego foram preservados pelo Benefício Emergencial”, argumentou Guedes em audiência na comissão mista do Congresso Nacional de combate à pandemia.

Para o ministro, os dados apresentados pelo IBGE são uma reverberação do início da pandemia. Ele explicou com o uso de uma metáfora: “É o som que está chegando agora, vindo de um passado distante. Como a velocidade da luz é muito mais rápida do que a velocidade do som, você vê o raio muito cedo e o som chega bem depois. É a mesma coisa com a economia”.

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O ministro usou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para justificar a análise de recuperação econômica. Segundo os dados, mais de 1 milhão de empregos foram criados em julho.

Outro sinal de retomada seria uma queda na arrecadação do ICMS em um patamar considerado baixo pelo ministro. “A queda de 6% no ICMS teve um valor muito menor do que os R$ 600 bilhões que transferimos a estados e municípios”, argumentou.

Salário Mínimo

No comissão, Paulo Guedes também falou sobre o reajuste do salário mínimo contido no projeto da Lei Orçamentária Anual. O texto, enviado ao Congresso na segunda-feira (31) prevê que o valor deve passar de R$ 1.045 para R$ 1.067 – aumento que só repõe as perdas com a inflação. Guedes justificou a escolha: “Se concedermos um aumento real no mínimo, talvez milhões de pessoas sejam demitidas. Estamos no meio de uma crise de emprego terrível, todo mundo desempregado. Se dermos este aumento, estaremos condenando as pessoas ao desemprego” defendeu.

PIB

De acordo com o IBGE, o período dos primeiros seis meses de 2020 fechou com queda de 5,9% no PIB. No segundo trimestre, a queda foi puxada principalmente pela queda histórica de 12,3% na indústria e de 9,7% no setor de serviços. O consumo das famílias também caiu em 12,5%.