Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A provável candidatura do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos-SP) à Prefeitura de São Paulo (SP) – ele terá sua pré-candidatura oficializada pelo partido no dia 16 de setembro – leva o PSDB a repensar seus movimentos visando a campanha do prefeito Bruno Covas (PSDB) à reeleição.

Na semana passada, em meio às conversas do vice de Covas, uma live realizada pelo ex-presidente FHC (PSDB) e a ex-prefeita Marta Suplicy (SD) em defesa da formação de uma frente ampla progressista contra o bolsonarismo fortaleceu o rumor de que Marta poderá ser a vice do tucano.

Vale recordar que Marta Suplicy e o PSDB possuem uma boa relação em SP. Nas eleições de 1998 ao Palácio dos Bandeirantes, Marta concorreu a governadora pelo PT. Conquistou 22,51% dos votos válidos no primeiro turno. Embora tenha ficado em terceiro lugar, foi decisiva para a reeleição do então governador Mario Covas (PSDB). Naquela disputa, o vencedor do primeiro turno foi Paulo Maluf (PPB, hoje PP), com 32,21%, seguido por Covas, que conquistou 22,95%.

No segundo turno, Marta e o PT se aliaram a Covas contra Maluf. A aliança ajudou o tucano a vencer o segundo turno daquela disputa por 55,37% contra 44,63% de Maluf.

Dois anos depois, foi a vez do PSDB retribuir o apoio a Marta na eleição pela Prefeitura da capital paulista. A então candidata petista, que havia conquistado 34,40% dos votos válidos no primeiro turno – contra 17,40% de Paulo Maluf (PPB) e 17,26% de Geraldo Alckmin (PSDB), na época vice-governador – recebeu o apoio tucano no segundo turno e derrotou Maluf por 58,51% a 41,49% dos votos.

Este histórico de bom relacionamento está fortalecendo a defesa do nome de Marta Suplicy como a vice de Bruno Covas. Além dessa boa relação, Marta poderá agregar a Covas a voto das periferias paulistas no primeiro turno, além de atrair o voto de esquerda e centro-esquerda num possível segundo turno de Bruno Covas contra Celso Russomanno.

A eventual dobradinha Covas-Marta traria grandes dificuldades para o PT, que terá o ex-deputado Jilmar Tatto como candidato, ampliando o isolamento dos petistas, assim como o ex-governador Márcio França (PSB), que sonha em ter Marta como vice de olho na inserção da ex-prefeita nas periferias.

Aliás, devido à possibilidade de perder o apoio da ex-prefeita, Márcio tem feito aceno em direção ao bolsonarismo. Trata-se de um movimento arriscado, pois o ex-governador e o presidente da República pertencem a polos ideológicos antagônicos.

Ao menos no primeiro turno, a possibilidade de Bolsonaro apoiar Márcio França é remota. Se essa associação ocorrer, seria apenas em um hipotético segundo turno entre Bruno Covas x Márcio, já que o presidente deseja impor uma derrota ao governador João Doria (PSDB) visando 2022.

Vale lembrar que Márcio França promete fazer uma campanha “anti-Doria” na capital, o que poderá atrair o voto bolsonarista.

Assim como ocorreu em 1998, Marta Suplicy poderá ser uma peça fundamental no tabuleiro. Caso seja a vice de Covas, poderá impor mais obstáculos a Márcio França. Por outro lado, se a opção for uma composição com Márcio, pode fortalecer a candidatura do ex-governador do PSB.

É de olho nessa posição estratégica de Marta que o PSDB começou a fazer acenos em direção a ex-prefeita, pois a possibilidade de Celso Russomanno ser novamente candidato a prefeito cresceu por conta de sua boa posição nas pesquisas e diante do apelo que o voto conservador terá na capital paulista.

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Bacharel em Ciência Política pela Ulbra-RS. Analista político da Arko Advice Pesquisas e Consultor político e de Marketing Eleitoral formado pela Associação Brasileira dos Consultores Políticos (ABCOP). Possui MBA em Marketing Político, Comunicação e Planejamento Estratégico de Campanhas Eleitorais pela Universidade Cândido Mendes. Concluiu também os seguintes cursos de extensão: "A Nova Cartografia do Poder, a política brasileira da era digital" (PUC-SP); "WhatsApp em Campanhas Eleitorais (PUC-RJ)"; e "Mídias Sociais e Gestão Estratégica de Campanhas Políticas Digitais (PUC-RJ)".