Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Divisão dá mais autonomia para os partidos e começa a definir um cenário para a sucessão de Maia em 2021

O maior bloco da Câmara dos Deputados, o “Centrão” perdeu 63 deputados nesta segunda-feira. Isso porque tanto o DEM como o MDB decidiram deixar o grupo. O objetivo é que o partido tenha mais autonomia em suas decisões e liberdade para se posicionar como entender. A divisão também altera o cenário para a eleição de um sucessor para Rodrigo Maia, em fevereiro de 2021.

Ao Brasilianista, o deputado Efraim Filho, líder do Democratas na Câmara, negou que a cisão represente um racha com o governo e que tenha ocorrido qualquer briga dentro do bloco. “A relação com o governo continua a mesma. Tivemos algumas divergências e agora o Democratas vai poder se posicionar de forma independente nas questões que ele discorda. Realmente foi uma decisão por uma questão regimental. Quando você faz parte pelo bloco, quem fala por você é o líder do bloco e a gente acabava limitado em algumas posições do partido. Saímos para garantir autonomia”, explicou.

O parlamentar reconheceu que houve desconforto durante a votação do novo Fundeb, quando houve um “cabo-de-guerra” entre o presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o líder do bloco Arthur Lira (PP-AL). O projeto, que torna permanente o fundo voltado à educação, foi votado na última terça-feira (21) na Câmara. A relatoria era da deputada Professora Dorinha, do Democratas de Tocantins, então havia mobilização dentro do DEM para aprovação do texto relatado pela parlamentar.

Mas, por outro lado o Centrão tentava obstruir a votação para tentar emplacar mudanças sugeridas pelo Executivo. Ainda que depois o grupo tenha mudado de posição e aprovado o Fundeb, Lira chegou a apresentar um requerimento para que o projeto fosse retirado de pauta, desagradando democratas e emedebistas. De acordo com o regimento da casa, somente líderes de blocos podem apresentar requerimentos para retirada de pauta, o que, na prática deixou os partidos reféns da decisão.

Com a saída de MDB e DEM sobram no Centrão: Avante, Progressistas, PL, PSD, Solidariedade, PTB e PROS. O número de parlamentares passa de 221 deputados para 158.

Apesar de MDB e DEM terem saído juntos do Centrão, o movimento sincronizado não significa a criação de um novo bloco parlamentar. Segundo Efraim Filho, essa opção “já foi descartada”.

Sucessão de Maia

Para analistas políticos, a debandada dos partidos é também relacionada à disputa de poder interna na Câmara. Com a proximidade da troca da presidência da Câmara dos Deputados, os possíveis candidatos buscam construir uma imagem mais forte dentro da casa.

“Não é apenas isso, mas tem sim relação com a questão sucessória. De certa forma o deputado Arthur Lira está querendo se movimentar, destacar o nome dele e mostrar força política. Mas a saída dos dois partidos o enfraquece na disputa para a presidência da Câmara”, explica Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice. “Isso fortalece também a atuação de Efraim Filho (líder do DEM) e Baleia Rossi (líder do MDB), que podem ter uma atuação mais forte como líderes de bancada”, pontua.

Nas redes sociais, o deputado Arthur Lira lembrou que o Centrão foi um bloco formado para garantir assentos na Comissão Mista de Orçamento (CMO), e que é natural que se desfaça:

“O bloco de partidos que é chamado de centrão tem como objetivo manter o diálogo e a votação das pautas importantes para o país. O chamado bloco do centrão foi criado para formar a comissão de orçamento. Não existe o bloco do Arthur Lira”, defendeu.